Cruzeiro e a pegada de campeão

Antero Greco

09 de setembro de 2013 | 01h10

Um dos prazeres da primeira parte do Campeonato Brasileiro foi ver a regularidade do Cruzeiro. O líder (e campeão de inverno) mantém pegada de quem levará a taça e raramente abaixa a guarda. O nível dos jogos tem sido em geral acima da média – nem sempre o espetáculo é impecável, embora raramente seja decepcionante.

Como no clássico deste domingo com o Flamengo. Não teve facilidade para marcar, como  em outras ocasiões. Contentou-se com o 1 a 0, suficiente para conservar distância prudente de Botafogo, Grêmio e Atlético-PR, os perseguidores diretos.

Marcelo Oliveira não inventou nada, assim como não complica a maneira de o Cruzeiro jogar. Simplicidade é a característica predominante. Diria sofisticada simplicidade, o que parece contradição, mas não é. Basta ver como o Cruzeiro toca a bola, constrói jogadas e faz gols para entender do que se trata.

O Cruzeiro agrada também pela vocação para o gol. Provavelmente não alcance marca centenária, como na campanha de 2003, com Alex regendo em campo e com Luxemburgo orientando. Mas, como já ultrapassou os 40 gols (está com 42), tem como fechar o ano com uma artilharia pesada. E sem ter um goleador -, os destaques são Ricardo Goulart (6), Luan e Vinicius Araújo (5). Nos pontos, não chega aos 100 daquele ano, pois fechou o turno com 40 e há mais 57 em disputa.

A conta do Cruzeiro fecha no lucro porque a defesa igualmente funciona. Como levou só 18 gols (atrás de Corinthians com 8 e Santos com 14), acumula retrospecto bom demais da conta: 12 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Para animar a torcida, mostra fôlego suficiente para sustentar o ritmo de grupo vitorioso.

Não sou de encher demais a bola de treinador, porém Marcelo merece uma observação elogiosa. Quando chegou ao clube, teve torcedor que reclamou, esperneou, protestou, sob a ridícula alegação de que o técnico tinha ligação antiga com o Atlético-MG. A resistência foi caindo, pois Marcelo prova o quanto é profissional.

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