Cruzeiro e Luxa: perdidos

Antero Greco

31 Agosto 2015 | 17h50

A demissão de Vanderlei Luxemburgo talvez não tenha surpreendido nem a ele mesmo. Era bola mais do que cantada. E consequência de desorientação de mão dupla: dele e do clube. Nem um nem outro sabe direito o que pretende na atualidade. Daí os resultados que não aparecem e só os desgsta.

Depois de um brilhareco quando chegou Luxemburgo, com algumas vitórias em sequência, o time voltou a ser instável. Ou, para ser mais exato: piorou. O bicampeão brasileiro entrou em parafuso e, neste momento, não bota medo em ninguém, a não ser na própria torcida, que sofre com vexames constantes.

Luxemburgo mexeu pouco, mudou quase nada do time que enfrentava dificuldades com Marcelo Oliveira. No curto período em que passou na Toca, mais discursou do que agiu. O treinador tantas vezes campeão nacional e estadual perdeu-se ao avisar que as reformas seriam para o ano que vem, que 2015 já era etc e tal. Mas foi contratado para resolver os problemas de agora. Era isso que dirigentes e torcedores queriam.

Se a pressa corta cabeças de treinador, é outra história. Com tanto tempo de estrada, Luxemburgo sabia o risco que assumia ao aceitar o comando de um clube em crise de identidade. Tinha noção de que a exigência se concentra no “já”, no “agora”, e não no futuro. Cair em canto de sereias só treinador jovem e ingênuo.

Cruzeiro é Luxemburgo estão sem rumo. O clube desmontou uma equipe vencedora, que conquistou dois títulos nacionais com mérito e sem nenhuma contestação. E não soube repor. Mais grave, até: iludiu o público, com a conversa de que o grupo era bom, que isso e mais aquilo. Não era nada disso.

Já Luxemburgo faz tempo que tem métodos contestados e não emplaca trabalhos significativos. O currículo é formidável, isso nem se questiona. A interrogação fica para o que houve com a carreira dele, por que da guinada para baixo. Algo que deveria merecer reflexão dele mesmo, uma análise serena.

Mas é complicado saber o que se passa na cabeça das pessoas. Não é correto julgá-las sob o nosso ponto de vista. Se o mercado lhe dá espaço, claro que continuará a insistir e a acreditar que tudo vai bem, que não passa de uma fase pouco feliz. E os erros se repetirão.

Talvez o mais sensato fosse dar uma pausa, tomar fôlego, voltar renovado. Isso é decisão pessoal.