Cruzeiro em campo é tapa no bom senso

Antero Greco

20 de abril de 2015 | 19h31

O Cruzeiro entra em campo, na noite desta terça-feira, para decidir o futuro na Libertadores. Jogará no Mineirão contra o Universitario de Sucre 50 horas depois de ter sido eliminado pelo Atlético, no mesmo local, pela semifinal do campeonato Estadual. O curtíssimo intervalo entre um jogo e outro é acinte, desrespeito, antiprofissionalismo. Um tapa na cara do bom senso.

Qualquer time merece respeito, do mais ilustre ao bem humilde. Mas, no caso do Cruzeiro, se trata no momento do bicampeão nacional. Deveria ser olhado com mais consideração, seja por FMF, seja por CBF ou pela Comnebol, e até por quem detém os direitos de transmissão de tevê da competição continental. Atitude desumana, de ignorância do que seja o esporte, fazer com que um grupo de jogadores não cumpra o mínimo de tempo para descanso. O mesmo havia acontecido na semana passada – e os desdobramentos negativos aí estão.

O Cruzeiro naturalmente jogaria pressionado, pois precisa vencer para não depender de ninguém para avançar na Libertadores. Tem 8 pontos no Grupo 3, um a menos do que o Universitario e um à frente do Huracan. A responsabilidade, no entanto, aumenta após a queda no campeonato doméstico. Não foi possível nem digerir a derrota por 2 a 1 e Marcelo Oliveira e trupe têm outra decisão pela frente.

Para complicar, torcedores foram protestar nesta segunda-feira na sede do clube. Vá lá que o alvo seja a diretoria, mas isso também tem reflexos no elenco. Por mais que se diga que os atletas são preservados da ira, quem garante que não haverá vaias se o gol demorar para aparecer? Que ambiente se criou para partida fundamental?

Tudo errado.