Cruzeiro faz hora e o São Paulo sobe

Antero Greco

26 de julho de 2015 | 19h05

A cada rodada que passa do Brasileiro aumenta a decepção com o Cruzeiro. Inconcebível ver no que se transformou o bicampeão nacional. Em pouco tempo, deixou de ser o time que dobrou adversários com autoridade para se transformar apenas num coadjuvante. E, se vacilar mais, logo voltará a preocupar-se com a parte de baixo da classificação. (São oito derrotas em 15 partidas).

O time apático, desconjuntado e nada confiável prevaleceu no clássico com o São Paulo, na tarde deste domingo, no Morumbi. Desequilibrado e inseguro, perdeu por 1 a 0 sem que tivesse incomodado Rogério Ceni. Comportamento muito diferente dos jogos entre ambos na Libertadores e nos quais se deu melhor.

Vanderlei Luxemburgo pede tempo, elogia a vontade dos rapazes, alega que o grupo tem pouca experiência e acena sempre para o ano que vem. Ou seja, jogou a toalha para 2015 e pede paciência.

A questão é saber se haverá compreensão para tamanho empobrecimento do Cruzeiro. A diretoria cedeu a pressão, se desfez de alguns dos principais jogadores, a reposição não foi à altura e as decepções se acumulam. Sem contar o erro estratégico de demitir Marcelo Oliveira, sob a alegação velada de que havia esgotado o ciclo etc e tal. Com um elenco fraco, daí era necessária a presença dele.

Quem se deu bem foi o São Paulo. Sem Ganso e Luis Fabiano, jogou o feijão com arroz básico para garantir a vitória (gol de Pato no primeiro tempo) e a aproximação no G4. Juan Carlos Osorio mexeu novamente na equipe, por necessidade e por convicção, experimentou o meio-campo com Rodrigo Caio, João Schmidt, Boschilia e Michel Bastos, para ver se o tornava mais leve, e deixou Centurión à frente com Pato.

Opção razoável, que prevaleceu mais pela fragilidade do Cruzeiro do que por coordenação tricolor. O São Paulo não perturbou Fábio além da conta, mas apresentou o suficiente para merecer o resultado. Subiu, mas permanece como incógnita.