Cruzeiro perde. E foi um jogaço

Antero Greco

27 de fevereiro de 2018 | 23h51

O torcedor do Cruzeiro vai dormir aborrecido nesta terça-feira. Constatação gritante. Não é nada satisfatório ver o time estrear com derrota na Libertadores – e por 4 a 2. Não era isso que se previa para quem iniciou a temporada a todo vapor – ao menos no plano doméstico.

Mas, se serve de conforto, viu um jogaço contra o Racing, no El Cilindro, em Buenos Aires. Ritmo intenso do início ao fim. E, sem exagero, se tivesse empatado estaria de bom tamanho. O Cruzeiro mostrou futebol para encarar o rival argentino.

Por que levou quatro, então?

Porque não teve Fábio, o que não significa que Rafael tenha falhado. Mas o titular dá outro status. Porque não teve Edilson e Leo, importantes na defesa. E o setor defensivo cochilou em momentos cruciais. Perdeu também porque Fred ficou apenas alguns minutos em campo; sentiu contusão, precisou sair cedo.

Mas o Cruzeiro caiu sobretudo porque o Racing tem Lautero Martinez. O que o moço jogou merece destaque e nota 10 com louvor. Ele desmontou o rival brasileiro, não só por ter feito os três primeiros gols, mas pela movimentação, deslocamentos, passes. Foi um tormento.

E o Cruzeiro não soube pará-lo. Não houve marcação atenta sobre Martinez. Não sou favorável à marcação homem a homem, algo superado no futebol. Porém, há casos em que jogadores que estejam “com a macaca” requeiram atenção redobrada. E isso não ocorreu.

O Cruzeiro também oscilou, o que é admissível diante das adversidades do placar. Começou bem e sentiu o golpe do primeiro de Martinez. Mesmo assim, reagiu e empatou com Arrascaeta. Daí, levou o segundo, sempre do Martinez, antes do intervalo.

No segundo tempo, voltou em busca de novo empate e… lá veio o terceiro. Com falta de Robinho, diminuiu. Quando imaginava o 3 a 3, veio a estocada final com Solari. Não tinha mais como reagir.

Mano Menezes colocou a equipe para a frente, e isso é bom. Mano tem alternativas para torná-la mais criativa. Agora, preciso cuidar da defesa, que só tinha sofrido um gol… só que no Campeonato Mineiro. O que é bem outra história.

A classificação virá, sem susto, se seguir esta conta: vencer as três como mandante e garantir dois ou três pontos como visitante (o que significa dois empates ou uma vitória fora). O chacoalhão de hoje pode ser útil lá na frente.