Nonsense: Cavalieri toma amarelo antes do jogo

Antero Greco

24 de fevereiro de 2014 | 01h04

Há coisas no futebol com as quais não me conformo. Árbitros que se preocupam com atos periféricos e deixam passar o principal. Até este domingo, para mim supérfluo era dar amarelo para jogador que tira a camisa na comemoração do gol. E essencial era punir o sujeito que desce o sarrafo no adversário, que dá soco, pontapé, cusparada.

Agora, aprendi mais uma. E veio do Rio. Mais precisamente pelas mãos de João Batista Arruda. O árbitro mostrou cartão amarelo para Diego Cavalieri, antes do pontapé inicial de Botafogo 3 x Fluminense 0, na tarde deste domingo, no Maracanã. O deslize do goleiro? Com a chuteira, fez uma risca vertical na linha que demarca a pequena área. Vejam só que falta grave!

Os justicialistas alegarão que o apitador agiu de maneira correta, conforme o manual e de acordo com orientação da Federação Carioca de Futebol. A entidade havia alertado para a irregularidade de Cavalieri, que é contumaz nesse tipo de atitude. O tema foi debatido durante a semana, pois esse gesto fere a regra do futebol, no item que se refere a alterar o campo de jogo.

Pelo amor de Deus, um risquinho mixuruca altera o quê? Qual a vantagem que Cavalieri teve, a não ser um tique, uma superstição, uma forma de orientar-se melhor sob o gol? E o que dizer dos pastos em que os jogadores atuam, que colocam em risco a integridade deles. E as pequenas áreas, que tradicionalmente são um lamaçal?

O juiz quis mostrar serviço numa atitude inócua e não teve coerência, nem peito, de advertir Cavalieri, que fez a mesma coisa antes do início da segunda etapa. Pagou para ver o que aconteceria. O goleiro já estava invocado mesmo e fez a tal risca, sob o olhar complacente do juiz de linha de fundo. Bom, esses não têm serventia pra quase nada.

Ora, tanta coisa pra consertar no futebol e se perde tempo com uma caganifância dessas. Depois não querem que a gente diga que o joguinho de bola anda uma chatice sem fim.

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