Da euforia às vaias. Isto é Palmeiras

Antero Greco

25 de março de 2016 | 00h49

O Palmeiras começou a temporada com astral lá em cima. Da parte do torcedor, por causa da conquista da Copa do Brasil e a vaga na Libertadores. Do lado de jogadores e técnico, pela possibilidade de ano tranquilo. Da perspectiva da direção, por rendas gordas e publicidade rentável. Enfim, um quadro alentador.

A temporada tem pouco mais de dois meses e o quadro se inverteu: o Palestra volta a viver momentos de tensão, de nervosismo e cobranças. Se antes despontava como favorito nas duas competições, agora corre o risco de ficar fora de ambas.

Na Libertadores, anda no fio da navalha. No Estadual, tem 15 pontos, está atrás do Ituano 18) e ao lado do Novorizontino. E dois pontos à frente de Ponte Preta e São Bernardo.  Situação embaraçosa e constrangedora.

E o Palmeiras foi malhado pelo público, como se fosse um judas em sábado de aleluia, ao mostrar bola murcha na derrota por 2 a 1 para o Red Bul, na noite desta quinta-feira. O torcedor que esteve no Pacaembu viu uma equipe modificada e ainda perdida, que se inquieta se o gol demora a sair e se desestabiliza, se leva gol. O roteiro foi idêntico a jogos recentes sob o comando, ainda, de Marcelo Oliveira, e como nos dois anteriores – com derrotas – sob a orientação de Cuca.

Novas modificações foram feitas, naquela que pode ser considerada de fato a primeira partida com “a mão” de Cuca. Mas o novo treinador não acertou “a mão”.  Mostrou inquietação ao optar pela saída de Dudu no início do jogo, por achar que o meia não teria condições de continuar porque era atendido na beira do gramado. Alterou muito cedo uma proposta de jogo.

O Palmeiras pressionou, teve chance de abrir o placar. Mas não foi na base do lance bem coordenado, trabalhado com esmero. Antes, foi na base da boa vontade – e só ela não ganha jogo. Não abriu o placar e ainda foi para o intervalo com dois de desvantagem, marcados por Thiago Galhardo aos 40 e Roger aos 44.

Na etapa final, prevaleceu a correria alviverde. Veio o gol para diminuir a diferença, com Alecsandro, aos 14 minutos. Tempo suficiente para tentar o empate, e depois a virada. Teve até bola na trave. Mas, de novo, a equipe criava mais por afobação e necessidade do que por consciência da força que possui, da clareza de objetivos.

Saiu de campo sob vaias e deixa no ar enorme ponto de interrogação em torno do futuro imediato.

Pena, mas voltou o Palmeiras conturbado que o torcedor imaginava enterrado de vez.

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