Darlene e Rio Preto campeão no feminino

Antero Greco

07 de dezembro de 2015 | 00h51

Gostava tanto de jogar futebol que, quando os meninos não permitiam a presença dela, pegava uma faca e furava a bola. Com isso arrumou muita encrenca no Jardim Alice, na periferia de São José do Rio Preto, até que seus pais resolveram fazer um time só para suas três meninas: Milene, Sharlene e Darlene – especialmente para Darlene, a bravinha que pegava a faca.

Mamãe Dorothéa é a supervisora do time. “Desde que ela tinha dois anos dizia que seria jogadora de bola”, recorda. E papai Chicão, o treinador, mas como não anda de avião, dirige o time por telefone, quando os jogos são fora de São Paulo. “Eu queria um menino, mas Deus me deu três filhas”, resigna-se.

Pois neste domingo, o sacrifício de Dorothéa e Chicão finalmente valeu a pena: o time de Rio Preto tornou-se campeão brasileiro de futebol feminino, tendo a camisa 7 Darlene como destaque. A menina que arrumava confusão é hoje, aos 25 anos, atacante da seleção brasileira e deve assinar contrato com um time chinês.

Na finalíssima do Campeonato Nacional, o time de Rio Preto empatou com o São José, por 1 a 1, e levou a taça por ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0.

Foi uma caminhada difícil, num campeonato confuso, em que jogadoras desmaiaram em campos de todo o país por conta do calor, partidas quase foram suspensas por falta de ambulância e médico e a desorganização andou solta por todo o torneio. Como sempre, a CBF despreza o futebol feminino do país que sobrevive graças a histórias como a da família de Darlene.

Todo time tem uma artilheira, mas só a artilheira Darlene tem um time campeão: o Rio Preto.

(Reportagem de Roberto Salim.)

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