Dedicação: sobrou pro Palmeiras faltou ao Grêmio

Antero Greco

15 de fevereiro de 2013 | 12h44

Grêmio e Palmeiras, que têm andado próximos no noticiário ultimamente, tiveram pontos semelhantes e divergências na estreia na Libertadores. Ambos deram a largada na competição no mesmo dia, quinta-feira, com placares idênticos, porém de significados diferentes. Os gaúchos perderam por 2 a 1, em casa, enquanto os paulistas venceram por 2 a 1, também como mandantes.

O ponto em comum: foram a campo com diversos estreantes, com formação inédita, no máximo ensaiada um pouco em treinamentos. O Palmeiras mostrou Weldinho, Marcelo Oliveira, Vílson, turma que entrou na base da emergência. O Grêmio mostrou para a torcida André Santos, Adriano, Barcos, Welliton, alguns dos atletas recentemente desembarcados para comporem um elenco repleto de alternativas.

As novidades influíram nos times, mas tiveram sua importância diminuída ou aumentada, de acordo com a conveniência. Para os alviverdes, a falta de conjunto não interferiu tanto no desempenho. Já para os tricolores, ela foi um dos motivos para a derrota. Nas duas situações são meias-verdades, lugares-comuns do futebol. Uma equipe não pode passar imune a elementos novos (Palmeiras), como também não pode creditar a recém-integrados boa parcela de culpa por deslize (Grêmio).

Levadas em conta circunstâncias como locais, adversários distintos, situações de jogo peculiares, é possível dizer que sobrou ao Palmeiras o que faltou ao Grêmio: dedicação, empenho, reconhecimento das limitações. Um jogou diante de seu público com a convicção de que é franco-atirador, não está na turma dos favoritos e tinha de provar capacidade para não dar vexame. O outro inconscientemente foi para o desafio como se tivesse apenas de cumprir uma formalidade e carimbar os primeiros três pontos.

Em consequência disso, o Palmeiras correu, suou, tomou sufoco em vários momentos, se desdobrou. Porque tinha necessidade de vencer, precisava senão afastar pelo menos diminuir um pouco a desconfiança que há em torno de si. O Grêmio, ao contrário, não acreditou no entusiasmo do Huachipato, demorou para se dar conta do que acontecia no jogo. E, ao acordar, já era tarde: tinha sido dominado e a derrota foi justa.

Ok, foi apenas a largada. Não significa que um tenha encontrado o caminho e o outro se candidate ao fiasco. O Palmeiras tem de melhorar muito e certamente passará por modificações. O Grêmio precisa voltar a ser uma equipe, e não somente um bloco de jogadores de qualidade. A derrota pode ser o estopim para o crescimento, desde que seja tomada como alerta e aviso. Há tempo de sobra para reagir.

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