Demitir técnico é mais uma prova de amadorismo

Antero Greco

20 de julho de 2012 | 12h26

Presidentes e diretores de clubes são empresários, empreiteiros, industriais, financistas. Enfim, capitalistas, sujeitos que conhecem o valor do dinheiro. (Quer dizer, costumavam ser cheios da grana…) Suponho que em seus negócios particulares tenham planejamento estratégico e escolham bem os subordinados, sobretudo os chefes. Caso contrário, vão pro buraco.

Nas funções como cartolas, porém, agem na contramão. Apregoam profissionalismo na gestão dos times e se comportam, na maioria das vezes, como amadores que têm poder. O maior exemplo está na contratação e demissão de treinadores. Os “professores” entram e saem com frequência espantosa, a rotatividade é impressionante. Ou seja, é uma bagunça só.

Exemplos do dia vêm de Porto Alegre, Salvador e Florianópolis. O Internacional dispensou Dorival Júnior, o Bahia entregou o bilhete azul (essa só os mais antigos vão se lembrar) para Paulo Roberto Falcão e o Figueirense mandou Argel pegar o boné. Os três caíram porque, na avaliação dos patrões, não alcançaram objetivos propostos. O Inter tem 16 pontos, 9 a menos do que o líder Atlético-MG, o Bahia está com 7 e escorrega na penúltima colocação da Série A, o Figueira é o 17º com 8.

Não vou discutir o desempenho de Dorival, Falcão e Argel em seus cargos. Qualquer argumentação cai na vala-comum de que o técnico só se sustenta se os resultados forem positivos. Esse é o parâmetro mais visível para medir a eficiência do “gestor” de um grupo de profissionais. E os próprios treinadores sabem disso e vivem em constante vaivém por aí. Alguns até lucram.

O que preocupa é a imaturidade generalizada. Entra ano, sai temporada e o discurso se repete, falso, vazio, enganador. As agremiações divulgam planos mirabolantes, garantem que estão programadas para o crescimento, etc e tal. Na prática, porém, não têm estratégia nenhuma, contratam técnicos por impulso, por indicação, por ouvir dizer, por amizade. Jogam em cima deles um elenco, atendem a sugestões e depois ficam na torcida para ver no que vai dar.

Não é preciso manter empregado ineficaz na empresa – demissões são rotineiras em qualquer atividade e treinador não é categoria à parte e acima do mercado. Mas de fato está na hora de os clubes criarem metas e terem gestão séria. Tenham certeza de que os resultados virão.

Para isso, é preciso ter paciência e inteligência. Poucos têm. Na história recentíssima do nosso futebol, cito Santos, Corinthians e Palmeiras, que estão com treinadores há mais de uma temporada (o que parece assombroso). O que ocorreu com eles? Ganharam títulos.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.