Desafio do Corinthians é manter a guarda alta até o Mundial

Antero Greco

29 de agosto de 2012 | 02h49

Vi declarações do Fábio Santos, numa dessas entrevistas de véspera de jogo, em que fez uma projeção do caminho do Corinthians no segundo turno, já a partir do clássico com o Fluminense nesta quarta. O lateral imagina a equipe a superar obstáculos, sem apuro porém com segurança, primeiro para ficar entre os dez, depois para chegar ao quinto lugar, e em seguida, quem sabe, brigar pelo título, antes de embarcar para o Mundial de Clubes, no Japão.

O discurso é pra lá de otimista, só não virou delírio porque o próprio Fábio admitiu que se trata de etapas difíceis de superar. O Corinthians tem 24 pontos e no momento ocupa a 12.ª casinha na tabela de classificação. São 19 pontos a menos do que o líder Atlético-MG, que tem ainda uma partida a mais a disputar (com o Flamengo). Uma diferença enorme para o ponteiro, e com mais 10 times entre ambos.

É necessária uma combinação espetacular de resultados para o Corinthians chegar ao sexto título nacional ainda neste ano. Fábio Santos sabe que a missão maior da equipe, depois da conquista da Libertadores, é beliscar o troféu da Fifa. Bater (provavelmente) o Chelsea, na final, representará o fecho de ouro numa das temporadas mais espetaculares da história centenária alvinegra. O resto é conversa fiada.

Mas essa conversa às vezes com tom encorajador reflete o pensamento e a estratégia de Tite. O técnico dizia, semanas atrás, que o Corinthians não abdicaria da briga pelo topo no Brasileiro, se virasse o turno entre os dez primeiros. Objetivo inicial, portanto, não alcançado, como mostram os números. Mas, mesmo naquele momento, a intenção era menos a de revelar projeto realizável e mais o de manter elevada a moral da tropa.

Tite sabe da necessidade de ter toada forte até o final do ano. Se começar com relaxamento desde já, pode ocorrer fenômeno que derrubou outros brasileiros anteriormente. Sem se darem conta, algus ficaram numa longa hibernação, após a Libertadores, marcaram passo na Série A e só despertaram com surra no Mundial. Então, o melhor é não baixar a guarda nunca.

Em todo caso, para a profecia de Tite e de Fábio dar certo o desafio inicial é contra o vice-líder Flu, 42 pontos, 12 vitórias, 31 gols a favor e com Fred, um dos artilheiros do Nacional. A vitória pode não pavimentar o caminho para o sucesso doméstico, mas serve para afiar a competitividade desse grupo, após derrotas nos clássico com Santos e São Paulo.

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