Dia de o Galo se mostrar forte e vingador

Antero Greco

10 de julho de 2013 | 00h50

A quarta-feira tem de terminar como marco memorável para o Atlético Mineiro. Nesta noite, o time de Ronaldinho, Bernard & Cia tem de mostrar que não chegou à semifinal por acaso nem que desde o início foi exagero aparecer como um dos candidatos ao título da Libertadores. A missão é complicada ¬– bater o Newell’s Old Boys por três gols de diferença ¬–, mas só acha impossível que não tiver otimismo ou torce contra.

Não gosto de oba-oba, daquela coisa de que qualquer time gringo é presa fácil quando vem aqui. Seria besteira, porque o que já fomos derrotados por vizinhos não está no gibi – e sim na lista de campeões. Taí o Boca Juniors pra comprovar. Também não gosto de quem jogue a toalha antes do tempo. Quem age assim nem merece disputar o torneio.

O Atlético se enroscou com os 2 a 0 que levou na Argentina, na semana passada, e não terá vida fácil hoje. Só não pode entrar com carga de pilha além da conta nem com ritmo meia-boca. O segredo, a sabedoria e a arte estarão na capacidade de conciliar pressão desde início, com eficiência em jogadas de ataque e atenção máxima na defesa.

Fácil falar assim, não é mesmo? A prática também pode ser. Vai depender do Galo, sobretudo do autocontrole. Não adianta buscar a definição em dez minutos; da mesma forma, como não resolve ficar em marcha lenta achando que tudo se resolverá naturalmente. Persistência tem de ser a palavra de ordem, do começo ao fim.

O Atlético pode espelhar-se naquilo que Itália e sobretudo o Brasil fizeram diante da Espanha, na Copa das Confederações. Ambos morderam, não deixaram os espanhóis respirarem e pararam a máquina de jogar bola. Os italianos pecaram pela imprecisão na pontaria. Já a seleção se deu bem porque aproveitou bem as chances que criou. Ao mesmo tempo, não esmoreceu em nenhum instante. Liquidou com a antiga Fúria.

A classificação passa pelas mãos de Vítor, sem dúvida. E também pela postura da defesa. Mas tem um pessoal – Ronaldinho, Bernard, Tardelli e Jô – que entra em campo com a tarefa de deitar e rolar sobre os argentinos. O quarteto não esteve lá grande coisa, em Rosário, porém é a chance de descontar e jogar um caminho no Newell’s.

O Atlético deve acreditar que dá, e se fizer um gol que tente o segundo. Se chegar ao segundo, se esforce pelo terceiro. Alcançou essa meta, parta para o quarto. E assim por diante. É a maneira de avançar e ganhar impulso enorme para enfrentar o Olímpia na decisão.

Amém.

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