Dores e decepção levam Ronaldo a antecipar aposentadoria

Antero Greco

13 de fevereiro de 2011 | 20h50

Ronaldo resistiu o quanto pôde – às dores, às gozações, às dúvidas. Mas o tempo, o zagueiro mais implacável na carreira de um jogador, enfim venceu. Por isso, nesta segunda-feira o astro anunciará que sai de cena. Vai pendurar as chuteiras, procurará novos rumos no futebol, deixará de conviver com os aplausos e as cobranças dos torcedores. Aos 34 anos, uma lenda do esporte deixa a ribalta.

O momento de parar é dos mais delicados na vida de um atleta profissional. Difícil determinar quando chegou a hora de mudar a rotina, por mais claras que sejam as evidências. Muitos retardam a aposentadoria não por necessidade financeira – o exemplo de Ronaldo aí está, inquestionável constatar que se retira milionário. O que existe é o medo da ruptura, o vazio, em muitos casos o anonimato.

Ronaldo até demorou para optar pelo descanso, como grande guerreiro que sempre foi. Há muito tempo, não era mais o fenômeno que arrasou defesas, entortou adversários e semeou alegria por onde passou com seus gols, dribles e arrancadas. O físico pesado não ajudava, não seguia mais os comandos de seu cérebro privilegiado. O astro corria o risco de transformar-se em sombra, caricatura de si mesmo. Isso seria injusto.

Seria impiedoso também com sua biografia ser execrado pelos fãs, como ocorreu após a eliminação do Corinthians na Libertadores deste ano. Não merecia ser apedrejado, ameaçado, xingado. Claro que as cobranças eram direito da torcida e como parte do elenco deveria aguentar sua parcela na bronca. Só que, em seu caso e no de Roberto Carlos, o tom ficou acima da média. Não precisava desse desgaste, nem das chacotas dos últimos tempos.

Ronaldo superou operações, contusões e longos afastamentos. Sempre dando a volta por cima, por contar com a força da juventude. Agora, as respostas não vinham. Melhor, então, reconhecer o poder desse adversário maior, o tempo, e recolher-se. Sai de cena um dos grandes atacantes que vi em ação. Mesmo que simbolicamente, tiro o chapéu para ele. E convido a fazer o mesmo a todos os que curtem o futebol.

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