Dorival x Neymar: uma ferida ainda aberta

Antero Greco

21 de setembro de 2010 | 18h18

Dorival Júnior não surpreendeu, ao barrar Neymar do clássico de amanhã com o Corinthians. O treinador do Santos agiu de forma coerente com o que havia anunciado na quarta-feira, nos vestiários da Vila Belmiro, após o bate-boca com o atacante, que ficou inconformado porque não pôde bater pênalti no jogo com o Atlétco-GO. Abatido e surpreso com a reação intempestiva do jovem, Dorival prometia punição severa e dava a entender que não se contentaria com medida paliativa, um engana-que-eu-gosto, ou conversa pra boi dormir.

Na tarde desta terça, o técnico esfriou a estratégia de pacificação da diretoria, que pretendia ver Neymar em campo em jogo decisivo para o time e para o campeonato. Cartolas sugeriam, na segunda-feira, que a reintegração estava próxima, pois ele havia pedido desculpas várias vezes, ficara fora da partida com o Guarani e aprendera a lição. Dorival disse ok para tudo isso, mas sentiu que, se optasse pela escalação agora, sofreria golpe mortal em sua autoridade.

Ele tem lá suas razões, nessa queda-de-braço com Neymar. O incidente ganhou proporções fora do comum, é o principal tema do futebol nos últimos dias e não faltam posturas radicais. Ou se fica do lado de Neymar, sob o argumento de que é apenas um garoto impulsivo, ou se opta por sua condenação, como se se tratasse de um caso perdido.

Neymar se excedeu, perdeu a linha e certamente se deu conta de que seus atos repercutem. Levou o puxão de orelhas, leva chá de cadeira e vida que segue. Merece novas chances, como todo mundo que na vida já pisou na bola. Quem acha o contrário está doido para transformar o episódio em incidente imperdoável, e não é o caso.

Dorival achou melhor não oferecer oportunidade de retorno para Neymar neste momento – e, assim, supõe que reforça a advertência pedagógica. Além de testar o tamanho de seu prestígio no clube. Há o risco claro de o Santos ser prejudicado com o afastamento – e o técnico (com aparente respaldo da diretoria) terá de assumir eventuais consequências negativas. Serão necessários daqui pra frente muita sensibilidade e espírito desarmado para que uma trombada de trabalho não vire motivo para ruptura, crise, inimizades e demissões.

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