E a seleção precisava desse mico?

Antero Greco

15 de setembro de 2011 | 00h23

Escrevi que não se deveria cair na conversa fiada de que Brasil e Argentina desta quarta-feira tinha importância. Era jogo apenas para cumprir acordos comerciais das duas federações. Nem os times titulares estariam em campo, já que só foram chamados atletas que atuam nos respectivos países.

Pois não deu outra: foi um jogo chato, modorrento, sonolento, inútil, desgastante. O resultado final – 0 a 0 – serve também de nota para as seleções. Mico enorme pago por Mano Menezes e por Alejandro Sabella, treinadores que buscam afirmação. Se for por essa partida, ambos aumentam o déficit.

A cartolagem conseguiu estragar o maior clássico do futebol mundial. A história de Brasil e Argentina não merecia esse capítulo grotesco. Jogo mequetrefe, sem sentido, sem graça, sem emoção. Nem tanto pelos atletas – cada um fez o melhor que pôde. Mas intimamente a maioria sabia que estava lá como quebra-galho, que não tem futuro em seus times. Até gente que tem cartaz, como Ronaldinho Gaúcho e Neymar, saiu no prejuízo com esse compromisso fora de hora.

Se fosse fazer um resumo do jogo, ressaltaria alguns dribles de Neymar, uma pérola perdida em tanta mediocridade, um carretel de Leandro Damião e algumas finalizações do atacante Bosselli. No mais, foi um festival de passes burocráticos, divididas sem estilo, chutões sem direção.

Mano ainda resistiu para colocar Casemiro e Oscar em campo e, mais uma vez, deixou Lucas de lado. Mas, mesmo a entrada dos jovens campeões, não mudou muito a seleção. Resumo da ópera: uma perda de tempo, um episódio que poderia ter sido evitado. Vai explicar isso pros cartolas?

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