E a transferência de Barcos ainda tem desdobramentos…

Antero Greco

30 de agosto de 2013 | 14h11

O Palmeiras pode vir a ser campeão de tudo – e espero que assim o seja, para alegria de seus milhões de seguidores. Paulo Nobre e José Carlos Brunoro podem, no futuro, transformar-se em marcos do renascimento do clube quase centenário. Torço para o sucesso deles e de qualquer dirigente que pense no bem da agremiação que dirige.

Mas o episódio da transferência de Barcos para o Grêmio estará na lista daqueles difíceis de entender – e que, quanto mais explicação houver, tanto mais provocará dúvidas. E, salvo engano, é retrato de uma ação desesperada, impensada e atrapalhada. Desde o começo e com seus desdobramentos, que se arrastam até agora.

Na época em que houve o negócio, aparentemente do dia para a noite, se falou que o argentino sairia porque o Palmeiras não tinha como bancar os salários nem saldar dívidas com a LDU. O Grêmio surgiu como a tábua de salvação. Pagaria tudo e ainda daria cinco jogadores. Vieram quatro (Vilson, Leo Gago, Rondinelly e Leandro), um recusou (Marcelo Moreno) e não se falou mais no assunto. Espera-se esse quinto atleta até agora.

Leo Gago teve pouco aproveitamento e se machucou. Rondinelly só compõe elenco, Leandro teve adaptação rápida, mas ultimamente caiu de produção e Vilson se ajustou na defesa, ao lado de Henrique. Só que mal esquentou a camisa que usa e já bateu asas para o Stuttgart, por 700 mil reais, preço de algumas rodadas de chope na Alemanha.

Brunoro veio a público, hoje, dizer que não houve prejuízo para o Palmeiras e que Vilson veio, em fevereiro, já com a advertência de que teria proposta para sair. E que o clube se resguardou para não ter prejuízo naquilo que investiu no jovem.

Como assim, veio já avisando que ia embora? E por que por valor tão baixo? Quanto ficará para o Palmeiras, uma vez que os direitos econômicos são do Grêmio? E a questão técnica? No início do mês Brunoro se vangloriou do negócio, quando lembraram que Barcos estava em má fase. Chegou a dizer que, agora, as “viúvas” do atacante entenderam o quanto a direção estivera certa naquela oportunidade. “Precisávamos montar o grupo”, explicou.

Se precisavam montar o grupo, por que perdem tão facilmente um jogador que se encaixou? Com Leo Gago e Rondinelly pouco aproveitado e com Leandro em baixa, resta o que daquele negócio da China que foi a saída de Barcos?

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