E lá vai a seleção a subir, degrau a degrau…

Antero Greco

26 de junho de 2013 | 22h14

Já se passaram algumas horas do jogo do Brasil com o Uruguai, a adrenalina baixou e é possível fazer considerações mais serenas, sem o calor da hora. Muito bom que o time nacional tenha vencido por 2 a 1, pois dessa maneira garantiu presença na final da Copa das Confederações e fica à espera de Itália ou Espanha. O torneio em si vale pouco, porque conta mesmo é o Mundial do ano que vem. Mas taça nunca é demais.

Isto posto dá pra dizer: foi um sufoco danado passar pelos vizinhos. Imaginava jogo duro, mas esteve um pouco além disso. Os uruguaios se desdobraram e não provocaram a prorrogação porque Forlán desperdiçou pênalti no primeiro tempo. Aliás, falta tola cometida por David Luiz em cima de Lugano, em bola parada. Só não virou gol pela bela defesa de Julio Cesar, que consolidou sua condição de titular. Não sai mais.

O Brasil teve o mérito de ficar em vantagem antes do intervalo – gol de Fred, aos 40 minutos e não tremeu ao sofrer o empate, no gol marcado por Cavani no início da segunda etapa. Quando tudo parecia encaminhar-se para o tempo suplementar, Paulinho apareceu para botar o placar definitivo, com gol de cabeça aos 40 minutos. Para alívio geral de quem foi ao Mineirão e de quem acompanhou por tevê, rádio e internet.

Este tipo de vitória é tão importante quanto uma derrota dolorida. Ela permite tirar boas lições – e o próprio Felipão parece que percebeu. Ao final do jogo, ele reconheceu que a equipe não foi bem. Tomara tire conclusões proveitosas nas resenhas com os auxiliares. Em tempo, se possível, para a final. Caso contrário, para a sequência do trabalho.

O Brasil pegou um rival que soube marcar bem à frente. Isso fez sobressair a dificuldade que encontra para iniciar jogadas desde a defesa. Os zagueiros ficam sem opção e em geral apelam para lançamentos sem logo e nem sempre com direção. Aconteceu diversas vezes. Há também certa oscilação de David Luiz. Bom na cobertura, mas de vez em quando confunde força de vontade com jogada estabanada.

O meio-campo continua falho na transição entre defesa e ataque. Luiz Gustavo marca, mas avança pouco. Paulinho aparece bem por sua habilidade nas conclusões e fez lançamento longo (aí, sim, ótimo) para Neymar no lance do primeiro gol. Há momentos, porém, em que vacila entre marcar ou armar. Oscar anda perdido no meio, já que o lado direito, em que se adapta bem, tem sido ocupado por Hulk.

Hulk, aliás, é brigador, corre, luta, mas não tem aproveitado de seu melhor recurso, o potente chute de esquerda. Não é por acaso que costuma ser substituído. Fred faz o papel de sempre, o de deslocar-se para receber a bola. Neymar ficou muito preso do lado esquerdo, com forte marcação. Ainda assim participou dos dois gols.

Mobilidade e variações é o que mais faltam ao Brasil. Percebe-se que Felipão testa alternativas, com a constante entrada de Hernanes e agora dá mais espaço para Bernard. A seleção está longe do ideal. Não é uma porcaria, apesar de não ter jogado bem nesta quarta-feira, nem um primor. Avança aos poucos e não modificará o estilo que o treinador pretende import-lhe. E é bobagem esperar guinada.

Fica a torcida para que o auge seja atingido em julho de 2014, na final, no Maracanã. Um sonho ainda distante, mas não impossível.

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