E Mano foi a bucha de canhão da CBF…

Antero Greco

24 de novembro de 2012 | 03h06

Havia uma personagem na televisão, bem lá atrás, interpretada pela atriz francesa Jaqueline Mirna, que costumava dizer: “Brasileiro é tão bonzinho”. E é mesmo. A gente costuma descer a lenha em um personagem público, fala as piores coisas dele. Mas, basta cair em desgraça, na sequência ficamos com dó, achamos que não era para se estrepar tanto assim.

Pois bem. Esse parece ser o caso de Mano Menezes. Durante dois anos e alguns meses, foi dos sujeitos mais xingados no país, por causa da seleção brasileira. Até com razão, porque raras vezes a seleção empolgou sob o comando dele. Não faltou para o treinador ouvir os mais variados impropérios creditados para o desempenho do time nacional. Mas, agora que foi demitido pela CBF, desponta solidariedade de todo canto. Contraditório…

A queda de Mano ocorreu nesta sexta-feira, mas vinha sendo preparada desde o começo do ano. Mais precisamente quando o ex-dono do poder na CBF se escafedeu para os Estados Unidos e deixou em seu lugar a dupla José Maria Marin/Marco Polo Del Nero. Ambos nunca esconderam a pouca simpatia com o técnico da “amarelinha” e o iniciaram processo de fritura.

Se você reparar bem, não foram muitas as ocasiões em que Marin rasgou elogios para Mano. Ao mesmo tempo, vira e mexe ele dava umas cutucadas, apelava para as frases manjadas (“Treinador vive de resultados”) e coisas assim. Parecia que preparava o bote. Mas, político como é, disfarçou. E, por sinal, muito bem, pois pegou quase todo mundo de surpresa.

Mano caiu porque os donos do poder não apreciavam os métodos dele. Mano caiu porque demorou para mostrar um time convincente – que, na verdade, não existe, embora tenha terminado o ano com uma espinha dorsal mais consistente. Mano caiu porque também há uma disputa pelo poder. Seu mentor, Andrés Sanchez, alimenta o sonho de assumir a CBF.

O sucessor não pegará uma bucha de canhão. Na prática, dará continuidade ao que Mano fez, provavelmente mudando algumas peças para marcar território. Nessa altura do campeonato, dá pra dizer que fez bem Muricy Ramalho, quando recusou convite do ex-todo-poderoso. Na época, ele achou que seria bucha de canhão e caiu fora. A bucha sobrou para Mano.

Que, no entanto, pode ficar tranquilo: trabalho não lhe faltará. Rapidinho estará empregado.

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