E muita coisa, no Palmeiras, está indo para o espaço…

Antero Greco

13 de setembro de 2012 | 01h57

Quando se vê o Palmeiras em campo, não há como fugir de uma constatação desoladora: é um time com perfil de Série B. O título da Copa do Brasil parece ter sido um flash de eficiência e de alegria que iluminou time. Mas, como todo flash, embaça a visão, distorce a realidade e rapidamente passa. E a realidade no Palestra Itália se molda como Segunda Divisão em 2013.

O time entrou, e não é de agora, naquela fase em que cada passe errado descontrola os jogadores, deixa o torcedor com frio na barriga, o técnico em alerta e o adversário animado. Uma bola perdida no meio-campo vira contragolpe mortal. Uma chance desperdiçada na frente tem como contrapartida uma estocada impiedosa do rival. O chavão se aplica para Felipão e sua turma: “O Palmeiras joga como nunca e perde como sempre.”

Foi assim, pela 14.ª vez em 24 rodadas, na noite de quarta-feira, em São Januário. O Palmeiras teve Barcos de volta, encarou o Vasco em igualdade de condições, chegou a abrir vantagem, deu a impressão de que se aproveitaria do momento instável de um clube que dispensou o treinador. O gol de Luan, em rebatida de Fernando Prass, parecia ser redentor.

Ilusão, o tal do flash que se perdeu no ar em segundos. Ou, no caso, em minutos. Seis minutos, pra ser exato. Aos 23, Luan abriu o marcador, mas aos 29 Tenorio empatou, numa jogada em que os zagueiros o acompanharam desviar de cabeça. Pronto, aquele foi o sinal de que outra tragédia verde estava a caminho, cena corriqueira no Brasileiro deste ano.

Não deu outra, o dramalhão se consolidou na etapa final. O Palmeiras largou a todo vapor, com 3 minutos viu Prass salvar o segundo gol e aos 6 observou Nilton, de cabeça, decretar a virada. O gol de Juninho Pernambucano, aos 26, foi só para mostrar que não havia mais retorno, outros três pontos iam para o espaço. Dali em diante, o Palmeiras bateu cabeça

Para o espaço vai também a fé do torcedor. Para o espaço vai a paciência do torcedor. Para o espaço está indo a rica história de Felipão com o clube. E, embora ainda não de forma enfática, a diretoria dá a entender que para o espaço pode ir o próprio treinador. Seria uma ruptura dolorosa, pelo carisma do técnico, mas pelo jeito inevitável.

A chance de reviravolta é contra o Corinthians, no domingo. Possível, mas pouco provável.

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