E Pato sai, com a leve impressão de que já vai tarde

Antero Greco

25 de julho de 2016 | 22h00

O Corinthians está perto de livrar-se de Pato, o maior mico que pagou – e caro – nos últimos anos. Pelo jeito, foi batido o martelo para a negociação com o Villarreal; faltam detalhes.

Alexandre Pato, assim, vai embora por 10 milhões, quatro vezes menos do que o clube paulista investiu nele, três anos atrás, para tirá-lo do Milan. O Corinthians perdeu dinheiro, mas festeja. Se o rapaz saísse no final do ano, seria de graça. Então, melhor pegar alguma agora do que chorar de vez o investimento errado.

A aposta em Pato foi um fiasco – e isso ficou claro logo após a primeira temporada no Parque São Jorge. Ele nunca se firmou como titular, jamais foi o goleador que pintou em início de carreira, no Internacional, e não caiu no gosto da torcida. O jeito meio distraído, blasè, não combinou com o espírito alvinegro. Pato não tinha “cara” de corintiano.

O empréstimo por um ano e meio para o São Paulo foi a primeira maneira de tentar diminuir o estrago. O segundo, no começo do ano, foi repassá-lo pelo Chelsea, por seis meses. Ele não tinha nenhum clima para retornar ao Corinthians, o que ficou evidente nas palavras do ex-presidente (Andrés Sanchez) e do atual (Roberto Andrade). Não deu certo na Inglaterra, o que aumentou a apreensão por aqui.

Como não mostrou nenhuma vontade de assinar com quem quer que fosse até dezembro, o Corinthians se viu obrigado e vender o peixe de que ele seria reaproveitado. E teve muita gente, na mídia, que comprou essa ideia. Durante dias só se falou na “expectativa” de Pato voltar. Falava-se, até, na “estreia na Arena” em Itaquera, como se fosse um grande acontecimento.

Escrevi aqui, no jornal, e falei na televisão que era conversa fiada, que o Corinthians não suportava Pato, que tudo não passava de manobra de marketing. Dito e feito. O sinal de que era só papo furado veio na sexta-feira, com a informação passada por Cristóvão Borges de que ele não jogaria contra o Figueirense, “para preparar-se melhor”. Preparar-se para ir embora, como se vê.

Ficam as lições. Para o Corinthians, a de que nem sempre jogador com nome representa bom investimento. Para a imprensa, a de não cair na conversa da cartolagem. Imprensa precisa ter sempre afiado o senso crítico e não fazer papel de “parceira” de clubes.

E Pato sai como diria a canção de Chico Buarque, “com a leve impressão de que já vai tarde”.

 

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