E se Ronaldinho estivesse jogando bem no Rio ou em SP?

Antero Greco

16 de agosto de 2012 | 19h38

O Atlético-MG vai bem, obrigado, no Campeonato Brasileiro. Lidera com méritos e ainda tem um jogo para disputar – aquele adiado com o Flamengo. Um dos segredos do time dirigido por Cuca é a sintonia entre os setores. Pode não ser um esquadrão, mas tem dado conta do recado e não parece ser fogo de palha.

Mas merece destaque também Ronaldinho Gaúcho. O craque foi para Belo Horizonte, após romper com o Flamengo, e porque não lhe restavam alternativas no Exterior,em Porto Alegre, no Rio mesmo eem São Paulo.OGalo acenou como boia de salvação para um jogador maduro, badalado, mas que murchou nos últimos anos.

A aventura foi olhada com desconfiança. Afinal, por que o Atlético iria arriscar-se com um jogador sabidamente difícil de controlar? A troco de que iria chamar um profissional de valor indiscutível, mas de dedicação bem duvidosa? Era mexer com fogo, era investir em um astro que embicou para a fase final de carreira longo do brilho anterior. Havia muitos indícios de que a experiência seria um fracasso.

E, não é que, até agora, o pessimismo não se confirmou? Ao contrário, Ronaldinho tem sido um dos responsáveis pela campanha formidável. Não, ele não está comendo a bola como nos bons tempos de Barcelona. Não tem aqueles atrevimentos que arrancaram aplausos até da torcida do Real Madrid no Santiago Bernabéu. Também não enfileira adversários como se estivesse numa brincadeira de criança.

Ronaldinho no Atlético tem sido discreto, prático e eficiente. Tudo o que Cuca, seus companheiros, dirigentes e torcedores queriam. E, no caso dele, ser “mediano” já é bem mais do que a maioria pode apresentar. O gaúcho tem qualidade no passe, precisão nos lançamentos e inteligência para tabelar. Os outros, sobretudo Jô, agradecem.

Falta-lhe mais pontaria nas finalizações, os gols são mais raros. Mas compensa com participação maior do que a que se via no Flamengo. E está bom assim. Ronaldinho não precisa ser o destaque da companhia. Basta seguir nessa toada que são grandes as chances de terminar a temporada com um título nacional e com o carimbo de recuperado.

Não o vejo de volta à seleção. Nem sei se seria o caso. Mas não resisto à observação: se estivesse num clube de grande apelo popular, do Rio ou de São Paulo, você acha que não estariam ensaiando uma campanha para sensibilizar Mano Menezes? Eu não tenho dúvidas de que a resposta seria “sim”.

 

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