E vai dizer que Neymar não resolve…?

Antero Greco

25 de agosto de 2012 | 21h12

Desde que Neymar voltou do longo período a serviço da seleção, o Santos jogou quatro vezes, ganhou três (todas no Brasileiro) e empatou com a Universidad de Chile pela Recopa Sul-Americana. Nessas partidas, houve um ponto em comum: Neymar esteve em campo. Coincidência o acúmulo de bons resultados? De jeito nenhum. O rapaz fez a diferença e tem gente que diz que ele não resolve…

O Santos se transforma com a presença de Neymar. E vice-versa. Com a camisa de casa ele fica à vontade, leve, se sente solto, atrevido e criativo. Foi assim diante do Figueirense (3 a 1), horas depois de chegar de Estocolmo. A mesma coisa no clássico com o Corinthians (3 a 2) no final de sema passado e o fenômeno se repetiu agora há pouco, nos 2 a 1 diante do Palmeiras.

Neymar comandou a virada sobre o rival, com os dois gols: o primeiro em magistral cobrança de falta aos 44 minutos, quatro depois de belo gol de Correa. O segundo veio aos 176 da etapa final, em chute rasteiro, maroto, de fora da área. A bola saiu fraca, mas bem no canto direito de Bruno, que caiu em câmera lenta. A danadinha ainda beijou a trave antes de entrar.

Dois momentos, dois lances, o suficiente para desatar um nó que parecia apertado. Na primeira parte do clássico disputado no Pacaembu, com bom público (mais de 21 mil pagantes), o Palmeiras foi melhor. Mesmo com um time inteiro de desfalques, a turma de Felipão encarou o Santos, pressionou, teve mais posse de bola, rondou muito a área.

O Santos teve dificuldade para armar-se, porque a marcação palmeirense no meio-campo era eficiente. E porque, mais uma vez, Ganso esteve aéreo, participou pouco; foram raros, os passes longos e precisos. Ainda assim, participou do lance do gol de empate, ao sofrer a falta.

O meia ainda ouviu, antes do jogo, protesto de parte da torcida. Ficou até o fim, embora de novo não tenha apresentado desempenho marcante. Ganso irreconhecível, mesmo com a conversa de que pretende continuar no Santos. O futebol que mostrou diz o contrário.

O Palmeiras sentiu o baque dos dois gols de Neymar. Ao levar a virada, deu sinais de cansaço, de tensão, de preocupação com o futuro no Brasileiro. Apesar disso, insistiu na pressão, foi à frente e Felipão chegou a deixar em campo Obina, Betinho (depois saiu para entrar Vinicius), Barco e Valdivia. Uma penca de jogadores de frente, que criaram pelo menos duas ocasiões para empatar – na melhor delas, quase no fim do jogo, Rafael fez defesa difícil.

A sequência de vitórias leva o Santos a 26 pontos e aumenta suas pretensões no Brasileiro. O Palmeiras, com 16 pontos e 11 derrotas em 19 jogos, terminará o turno na zona de rebaixamento. No domingo, será superado por Bahia (16) ou por Atlético-GO (15), que se enfrentam. Triste situação, no dia em que comemora 98 anos de existência.

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