Alisson continua com o uniforme limpinho…

Antero Greco

02 Julho 2018 | 13h46

Lembram da apresentação do México diante da Alemanha? Marcação forte, velocidade, contragolpes mortais e vitória por 1 a 0? Resultado extraordinário, que surpreendeu o mundo. A simpática equipe do Norte da América cresceu, assustou e virou sombra para o Brasil nas oitavas de final do Mundial…

Pois bem, a rapaziada comandada por Juan Carlos Osorio, conhecido por aqui como “profe” (de professor), tentou repetir a dose, nesta segunda-feira. Procurou dar um calor na turma de Tite, na escaldante arena de Samara, e ficou só na boa intenção. Depois de 90 minutos e alguns quebrados, saiu com calombo de 2 a 0 e o bilhete de volta para casa. Não foi desta vez que chegou à quinta partida no torneio.

Por que o sonho mexicano foi travado? Porque assim quiseram os deuses do futebol e lugares-comuns do gênero?

Entrou pelo cano porque topou com um rival consistente, seguro, sereno. Mais forte, mais bem organizado e tecnicamente superior. O Brasil se mostra sólido. Pode ser econômico no ataque (sete gols em quatro partidas), porém compensa com uma fortaleza na retaguarda (um gol sofrido, na estreia, diante da Suíça e em lance irregular.)

Nos últimos dias se especulou muito a respeito de qual seria o comportamento mexicano para repetir a façanha da rodada inaugural. Atacaria ou ficaria à espera do Brasil? Buscou acelerar no início, com lançamentos e passes longos para Vela, Chicharito e Lozano, além de descidas de Herrera e Guardado. O objetivo era pegar distraído o sistema defensivo da “amarelinha”.

Fora certa euforia nas arquibancadas, não aconteceu nada de prático no gramado. Alisson assistiu ao jogo no primeiro tempo – e mais ainda no segundo. Aliás, o goleiro brasileiro fez no máximo duas defesas difíceis até agora na competição. Provavelmente, chega no vestiário, tira o uniforme e o entrega para o roupeiro, que tem o trabalho só de dobrá-lo e guardá-lo para o próximo jogo. O material está limpinho.

O Brasil percebeu a tática rival, deu o troco  com coordenação perfeita, fechou espaços, segurou Fagner e Filipe Luís ao lado de Miranda e Thiago Silva, com Casemiro de guardião. Coutinho e William puxavam contragolpes, em busca de Gabriel Jesus e Neymar. Só Paulinho desta vez destoou, pois ficou entre marcar ou aparecer de surpresa na área; não se destacou em nenhuma das duas funções.

Isso fez do primeiro tempo uma etapa sem graça, mas já do jeito que Tite gosta – sem correr riscos. E, reconheça-se, a seleção não levou um susto sequer. O México não incomodou no ataque. Eis o desafio para adversários: como furar as linhas compactas da fortaleza nacional.

Para aumentar a segurança, aos 5 minutos explode o talento de Neymar. O Brasil resolveu acelerar, empurrou o México para o próprio campo e resolveu dar as cartas. Neymar arrancou pela esquerda, passou para William e entrou na área, à espera da devolução, que veio. A bola passou por Ochoa (outra vez com defesas importantes), por Gabriel Jesus, mas não por Neymar, que só empurrou para o gol.

O 1 a 0 desmontou os mexicanos. Na verdade, ali acabou o jogo para eles. O peso da camisa brasileira desabou sobre os moços e fez estrago. Não aconteceu nada mais de significativo para o lado verde e branco. Quer dizer, aconteceu sim: o segundo gol, que teve participação de Neymar e conclusão de Firmino já nos minutos finais.

Sei lá o que virá por aí – talvez Bélgica (que joga daqui a pouco). Não sou vidente – nem bidu ou adivinhão, como se dizia antigamente no Bom Retiro. Mas taí um quebra-cabeças para quem topar com o Brasil: como sujar o uniforme de Alisson, como despentear o cabelo do goleiro, como fazê-lo buscar bola no fundo do gol.