Elias força o terceiro amarelo. Será punido?

Antero Greco

13 de setembro de 2013 | 18h35

Dias atrás, Valdivia recebeu suspensão de dois jogos por ter admitido que forçou a barra para tomar terceiro cartão amarelo em jogo do Palmeiras. O tribunal esportivo entrou em ação, enquadrou o jogador em artigo tal e tal, ele foi julgado e condenado um tempo depois.

Cumpriu numa semana em que necessariamente estaria fora do time, a serviço da seleção do Chile. Ou seja, a pena foi aplicado tardiamente e quando não teve efeito prático. O tribunal parece ter jogado para o público, ou para a mídia, já que a questão foi levantada em programa de televisão. Em tempo: a dúvida jornalística era procedente, noves fora a polêmica…

Agora, Elias incorre no mesmo vacilo. O meia do Flamengo levou o terceiro amarelo, ontem, diante do Santos, e não enfrenta a Ponte Preta no final de semana. O jogador, na sinceridade, reconheceu em entrevista para uma emissora de rádio que catimbou para levar a advertência, e para tanto contou com a anuência do técnico Mano Menezes.

O pessoal do tribunal esportivo já disse que “vai estudar o material” e, se entender que houve ilícito, também incluirá Elias sei lá em que artigos do código disciplinar. Com a perspectiva de que possa sofrer punição idêntica à do Valdivia.

Os casos são iguais; portanto, se houver coerência dos juízes, o flamenguista também deve ser condenado. Mas, cá entre nós: isso é uma tremenda bobagem. Não se trata de recurso indecoroso e é tão velho quanto os cartões. Ou seja, tem pra mais de 40 anos, apareceu no Mundial de 1970 no México.

Milhares de atletas fazem o mesmo a cada temporada, em todo canto. Por que a punição, então? Por causa da sinceridade de admitir a artimanha? E no que isso fere a legislação? Ora, o tribunal tem de coibir a violência, a corrupção. E não perder tempo com pecadilhos menores.

Daí, é possível que Elias (como ocorreu com Valdivia) seja suspenso e leve o mesmo tipo de condenação de Fred, que lascou cotovelada num adversário, pegou gancho maior e teve redução para duas partidas. É justo isso?

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