Eliminar o Boca, a opção justa pra Conmebol

Antero Greco

15 de maio de 2015 | 18h41

A Libertadores tem um folclore em torno de si, feito de duelos homéricos, picardia, artimanhas, garra, suor e catimba. Além de técnica, que consagrou tantos campeões continentais que deveriam faturaram também o Mundial. Há características peculiares à América do Sul que, para o bem ou para o mal, lhe são próprias e não cabe comparação com a Europa. Cada um tem suas qualidades e defeitos.

Violência, porém, é violência e condenável em qualquer parte do globo. E o que se viu, na noite de quinta-feira em Buenos Aires, foi comportamento incorreto, desmedido e covarde de parte da torcida do Boca com jogadores do River Plate. Atitude indefensável.

O fanatismo e a falta de civilidade de alguns extrapolaram a decência, colocaram em risco a integridade dos rivais e, por extensão, dos jogadores da própria equipe. Ao jogaram gás pimenta, ou no mínimo ao tentarem agredir os jogadores do River no túnel para os vestiários, por tabela atingiram seus astros. Foram idiotas e além de tudo burros.

Não havia como continuar o jogo. Agora, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) tem uma saída, apenas, se não quiser perder o mínimo de moral que tem: eliminar o Boca da competição. Uma pena, porque se trata de concorrente forte, com camisa de peso, história e qualidade. Mas, pelo fato de o jogo ser em seu estádio e apenas com sua torcida, é mais do que responsável por tudo o que aconteceu. É preciso acabar com o papo de que, “por causa de alguns, todos sofrem”. Os baderneiros são conhecidos; o Boca tem culpa no cartório.

Não adianta a Conmebol amenizar, tem de pegar pesado. Vá lá que deu prazo para a defesa, como é de praxe, mas não pode passar batido. Caso contrário, a bagunça por aqui nunca vai acabar. E continuaremos a ser vistos como vândalos, além de cenas como as de quinta, em La Bombonera, se repetirão como se fossem coisa normal, “do futebol”.