Empate. E a Libertadores volta a atormentar o Corinthians

Antero Greco

27 de janeiro de 2011 | 01h21

“Empatar no Pacaembu é horrível.” A constatação foi de Roberto Carlos, na saída do estádio paulistano, e não serei eu quem vai contradizê-lo. O 0 a 0 com o Tolima, na noite de quarta-feira, se revelou constrangedor para o Corinthians, colocará mais pressão no duelo de volta, na semana que vem, na Colômbia, e faz a Taça Libertadores da América virar o velho e recorrente tormento, em vez de transformar-se em doce sonho.

O Corinthians decepcionou, e ninguém teve a cara de pau de sustentar o contrário. Pelo menos isso. As declarações dos corintianos, após o jogo, navegaram entre o reconhecimento de que o resultado esteve longe do que se imaginava até as frases de incentivo comuns nos momentos delicados. As de sempre. “Tivemos chance, faltou pouquinho mais de tranqüilidade”, observou Jorge Henrique. “Lá, será muito diferente”, previu o técnico Tite. Diferente deveria ter sido aqui, em casa, diante de sua torcida. E não foi.

O caminho para um lugar na fase de grupos não está fechado – se o Corinthians obtiver empate com gol (1 a 1 serve) já se garante. Mas deu uma bela emperrada. Nem tanto pelo placar, e sim pelo futebol que a equipe apresentou. Trocando em miúdos, foi bem parecido com o jogo sem criatividade, sem graça, arrastado, dos empates com Bragantino e Noroeste. Desde o domingo, havia a promessa de time “superligado” na Libertadores. A torcida acreditou na conversa, pero no mucho, e saiu do Pacaembu com a pulga atrás da orelha.

O tridente Jorge Henrique/Dentinho/Ronaldo já viveu dias melhores. Bruno César já foi mais incisivo e inventivo no meio-campo. A defesa já foi muralha intransponível. Em vez de impor-se, de agredir, o Corinthians cadenciou o jogo, sobretudo no primeiro tempo, e enroscou-se numa boa marcação do Tolima. Pior, se expôs ao contra-ataque e só não tomou gol porque a arbitragem enxergou impedimento em um lance normal. Na etapa final, pressionou mais na base do seja o que Deus quiser. E ainda assim levou pouco perigo ao rival. O Tolima percebeu de cara que o diabo não era tão feio quanto se pintava e soube se segurar. Voltou feliz pra casa.

O Corinthians do começo de 2011 é um time comum, sem a aura dos grandes vencedores. Falta-lhe pegada. Mas a tragédia não está consumada – nem gosto de previsões agourentas. Elas não são verdade absoluta no futebol, Ainda bem, porque o futebol é esporte que permite surpresas, viradas épicas, jornadas inesquecíveis. Ronaldo e seus acólitos podem voltar da Colômbia com a vaga no bolso e arrancarem para título inédito e tão desejado. Mas, para tanto, terão de jogar bola. É muito pedir apenas isso?

Grêmio perto. Na fase de classificação nem é preciso dar espetáculos grandiosos. Taí o Grêmio, que jogou pro gasto no Uruguai e ficou a um passo da vaga. Nos 2 a 2 com o Liverpool, a equipe gaúcha teve falhas (sobretudo nos gols), mas soube compensar com boas doses de dedicação e inteligência nos momentos adequados. Se tivesse mantido a regularidade, principalmente no segundo tempo, dava para ganhar, já que ficou em vantagem no 1 a 0 e nos 2 a 1, com o André Lima. O Liverpool é bonito só no nome. No Olímpico, vai dançar.

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