Espanha avança, com estilo eficiente e chato, muito chato

Antero Greco

23 de junho de 2012 | 18h00

Os pragmáticos não costumam ter dúvidas: se ganhou, é porque é bom. Eles que me desculpem, mas pra mim nem sempre vence o melhor, sobretudo no futebol. E, mais ainda, em competições de tiro curto, como Eurocopa, Copa América e Mundiais. Uma equipe, por uma série de fatores, pode se dar bem justo naquele momento, leva a taça e não acrescenta.

Assim vejo a Espanha de hoje. Ganhou a Euro de 2008 e foi campeã do mundo na África. E daí? O que trouxe de novo, de diferente, de revolucionário para o futebol? A rigor, nada. Ou, para não ser injusto, teve o mérito de apostar num sistema em que a posse de bola é fundamental. Posse de bola e passes curtos, boa marcação e recomposição quando é atacada. Sofre poucos gols e é sovina no ataque, pois também anota pouco.

Esse sistema, elogiado num primeiro momento dois anos atrás, agora se revela tedioso, contido, irritante. A Fúria só enfurece quem aprecia futebol jogado com alegria, atrevimento, esperteza e ousadia. Não é nem cópia do que faz o Barcelona. O time catalão também toca muito a bola, mas com altivez e malícia, com objetividade. Não é por acaso (e por Messi, claro) que tem um dos melhores ataques do futebol mundial.  A Fúria é só controle do jogo.

Tem sido assim, foi dessa forma mais uma vez, no duelo com a França, pelas quartas de final da Eurocopa. Sem risco de errar, e sem exagerar, a partida mais chata e aborrecida do campeonato europeu de seleções. Bocejo do começo ao fim, de parte a parte.

Esperava mais dos espanhóis, porque têm jogadores de qualidade para ser mais ofensivos. Mas começo a achar que não irão além disso, até o momento em que quebrarem a cara. Afinal, são campeões aqui e ali; então, pra que mudar? É a linha do pragmatismo, do futebol de resultados…

Os franceses têm feito um bom trabalho de reconstrução, desde a aventura africana. Só que se contaminaram com o jeito espanhol e criaram menos do que em jogos recentes. Resultado: tomaram um gol de Xabi Alonso aos 18 do primeiro tempo e não tiveram criatividade para safar-se da marcação e criar. E tomaram outro, também de Xabi Alonso, aos 45 da etapa final, de pênalti.

O mundo anda mesmo de cabeça para baixo. Tanto que é a Alemanha quem mostra o futebol que mais me agrada, que mais me leva ao Brasil do passado, em que havia toque de bola, posse de bola, mas rapidez no ataque. E gols, muitos gols…

 

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