Estava difícil. Daí, vem a expulsão de Maicon

Antero Greco

07 de julho de 2016 | 00h25

Quando os melhores jogadores do Atlético Nacional começaram a ser procurados por outros times, os torcedores do São Paulo comemoraram. A saída dos craques colombianos, com certeza facilitaria a disputa das semifinais da Libertadores.

Mas, como tudo na vida é imprevisível, um dos reforços contratados pela equipe de Medellin transformou a noite tricolor num pesadelo no Morumbi: São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional – dois gols de Borja.

Miguel Angel Borja Hernandez jogava no Cortuluá, quando a Libertadores foi interrompida para a disputa da Copa América. Artilheiro do Campeonato Colombiano, com 19 gols, chamou a atenção do técnico Reinaldo Rueda, que pediu imediatamente a contratação.

Ele chegou, vestiu a camisa 23 e mostrou futebol de gente grande, infernizando a defesa tricolor.

Depois de um primeiro tempo equilibrado, em que o São Paulo sentiu a falta da inteligência de Paulo Henrique Ganso (machucado e assistindo o jogo no estádio), a partida recomeçou com três boas jogadas de Borja: aos 12 minutos, com um chute que desviou em Maicon e se perdeu em escanteio; aos 13, quando cabeceou a bola no travessão e aos 14, quando obrigou Denis a uma grande defesa.

O São Paulo não conseguia se impor. A bola chegava com dificuldade ao ataque. Calleri se perdia no meio da zaga adversária. E jogando em alto nível mesmo só Michel Bastos, que chegou perto do gol de abertura, com um chute fortíssimo, que o goleiro Armani conseguiu espalmar.

Quando parecia que o tricolor iria embalar, com o apoio de sua torcida, eis que o zagueiro Maicon comete um erro infantil, para quem usa a faixa de capitão. Preocupado em recolocar a bola em jogo rapidamente, ele empurrou a cabeça adivinhem quem? Sim, Borja. E foi expulso. Exagero da arbitragem, em minha opinião. Mas Maicon poderia ter passado sem aquele gesto.

O técnico Edgardo Bauza não colocou zagueiro em campo para recompor a defesa. E o desastre se abateu sobre os são-paulinos: aos 36 minutos, com uma tabela curta e envolvente, os colombianos chegaram ao gol, com Borja.

Aos 43, Borja de novo, depois de receber passe de calcanhar de Moreno. Dois a zero. Placar justíssimo, de um time melhor postado em campo. De um time que não apelou, não praticou o anti-jogo, não fez a velha cera e vai para o segundo jogo em Medellin com grandes chances de passar à final.

Para o São Paulo resta fazer o jogo perfeito na próxima quarta-feira e fazer de tudo para anular Borja.

(Com participação de Roberto Salim.)