Espero que Falcão vingue como técnico do Internacional

Antero Greco

11 de abril de 2011 | 01h00

Conheço Paulo Roberto Falcão desde o começo da década de 1980. Na época em que ele era o “Rei de Roma”, por vários anos fui correspondente do Corriere dello Sport, que tem redação central na capital da Itália. Perdi a conta das reportagens que fiz com ele toda vez que vinha para o Brasil passar alguns dias de folga ou de férias. Eu fazia marcação mais cerrada do que os zagueiros que enfrentou no período em que comandou o meio-campo da Roma.

Desde aquela época tenho admiração por Falcão. Sempre o vi como homem jogador extraordinário, habilidoso, elegante e líder. Além de homem gentil, cordial. E sobretudo esperto. Falamos em centenas de ocasiões, mas sempre foi cuidadoso com as palavras, discreto na forma de agir. Sabia mover-ser com diplomacia em terreno perigoso, driblava temas polêmicos. Foi assim, também, em sua carreira como comentarista de tevê. E bom comentarista.

Acompanhei de perto a primeira experiência de Falcão como treinador – ao dirigir a seleção brasileira após o fiasco de Lazaroni & Cia. no Mundial da Itália. Vi o trabalho dele na Copa América de 1991, no Chile, que lhe valeu a demissão na volta. Lembro de um Falcão indeciso, talvez um pouco assustado com a responsabilidade e que não percebia o poder destruidor das críticas que lhe eram feitas. Tive impulso de falar com ele, para alertá-lo de que seu tapete seria puxado. Mas então estávamos em lados opostos: ele era treinador e eu, jornalista. Fiquei na minha, não lhe disse nada.  Nunca abri mão da neutralidade.

Falcão não teve carreira brilhante como técnico, o que apenas confirma a regra de que nem todo craque com a bola será vitorioso no banco. Agora, depois de 17 anos de cabine de transmissão, se arrisca a voltar à rotina do futebol pelo lado de dentro. Deixa os microfones para vestir agasalho e encarar o desafio de liderar o Inter, seu time de coração. Não sei se terá sucesso, não sei se aguentará o rojão de ser pressionado, cobrado, xingado pelos torcedores.

Sei que torço para que se saia bem nessa missão, pois o futebol precisa de pessoas decentes. E Falcão é. A propósito: uma bobagem a observação de Renato Gaúcho, que tratou de estabelecer comparação entre ambos ao lembrar que foi campeão do mundo e Falcão não. Tiveram estilos diferentes e foram eficientes, vencedores. Mas, bola por bola, Falcão teve mais. E brilhou na Itália numa época de ouro, enquanto Renato foi um blefe no calcio.

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