Falta uma Casanova no basquete feminino

Antero Greco

09 de abril de 2016 | 00h49

Com certeza o técnico Antônio Carlos Barbosa viu o jogo entre Maranhão e Corinthians, pelas semifinais da Liga de Basquete Feminino. E, ao dormir, sonhou com Casanova. Se tivesse uma Casanova, o treinador teria meio caminho andado para armar a seleção brasileira para os Jogos Olímpicos.

A armadora Ineides Casanova é puro talento. Raça, técnica e perfil atlético. O time dela perdia para o Corinthians por 20 pontos, no jogo disputado no ginásio Castelinho, em São Luís; resultado normalíssimo.

Mas ela em nenhum momento se entregou. Ineides é incansável, constantemente ligada no jogo, sem demonstrar desânimo ou cansaço. Aos poucos a diferença foi caindo no placar.

Passes perfeitos, roubadas de bola, puxadas de contra-ataque, mira e confiança. O número seis da camisa dela aparecia em todas as jogadas, e logo o Maranhão Basquete estava à frente no placar.

Corinthians tem melhor elenco, melhor campanha, um técnico experiente como Antônio Carlos Vendramini, uma camisa de peso enorme. Mas não conseguia segurar o dínamo Ineides, que tinha a seu lado a compatriota Clenia Noblet.

E o que parecia impossível se torna realidade: vitória da equipe maranhense por 81 a 74.

E a bola acaba nas mãos de Ineides, a dona do jogo. Ela converteu 8 dos 10 arremessos feitos em lances livres, deu cinco assistências, pegou cinco rebotes, recuperou três bolas. Terminou o jogo com 30 pontos.

Então por que Barbosa não a convoca para a seleção que tentará recuperar prestígio na Olimpíada?

Ora minha gente, por uma questão muito simples: a menina negra, dos olhos bonitos, já defende outro país: Ineides Casanova é cubana.

(Com participação de Roberto Salim.)

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