Fantasma de 2017 já assusta o SP

Antero Greco

20 Janeiro 2018 | 21h15

Não gosto de disciplina férrea, aquela dos antigos colégios internos, de mosteiro ou de caserna. Não vejo qualquer reação mais intempestiva ou uma palavra mais dura como rupturas da hierarquia. Nem acho que time de futebol tenha de ser composto por coroinhas ou escoteiros.

Mas tem momento em que, se não se souber segurar a onda, vira bagunça. É preciso agir rápido para a casa não cair.

Veja você, caro amigo, o que acontece no São Paulo. No ano passado, foi um sufoco tremendo para driblar o rebaixamento. A salvação veio aos 39 do segundo tempo, na base do suor e da adrenalina. Após o susto, a promessa de 2018 com ordem, planejamento e caras novas no comando, com destaque para ex-astros como Raí e Ricardo Rocha.

O time mal estreou na temporada, com dois tropeços, e já aparece um abacaxi para descascar. E que atende pelo nome de Cueva. O peruano chegou das férias um pouco mais tarde do que os outros, precisa de tempo para entrar em forma e já fez cara feia porque não é titular. Ao saber que não começaria no jogo de amanhã com o Mirassol, pediu para não viajar.

Aí, já foi a primeira pisada, a “folgada” inicial. Se está relacionado, viaja e pronto. Fica no banco e aguarda a vez, como aconteceu no sábado. Foi até pedido da torcida para que entrasse no empate com o Novorizontino. A massa apostou nele.

O caldo se torna mais denso com declarações de Raí ao site tricolor. O responsável pelo futebol diz que Cueva não está plenamente comprometido com a agenda do time no momento e que, por isso, ficou fora da delegação. Mas emenda com a conversa de que o São Paulo não abre mão dele neste momento. (O clube até recusou oferta de time árabe.)

O episódio acabou aí? Não. Cueva vai pra rede social e escreve que, pelo visto, não tem tanta importância assim, já que foi afastado. E garante que tem comprometimento. Outra vacilada. Pra que o desabafo? Pra testar a popularidade? Para peitar o treinador? Para sentir o pulso dos ex-boleiros que agora estão no comando?

O São Paulo não pode brincar em 2018. Se a direção acha que Cueva não está comprometido, então que negocie saída em que não tenha grande prejuízo. Ou não venha a público dizer isso e não fazer nada. Porque a bronca pode cair no vácuo. E os desdobramentos serão piores do que eventual ausência do moço.