Flu joga bem, mas cai em jogo polêmico

Antero Greco

26 de julho de 2015 | 13h44

Um amigo veterano de televisão me dizia que locutor erra, como qualquer profissional. Mas, se errar, tem de ser com convicção, com classe e categoria. Sem direito a vacilo, pois aí fica chato e o telespectador percebe e pega no pé.

Talvez o raciocínio se aplique também a juiz de futebol. O árbitro falha, e como! Porém, ao falhar, precisa fazê-lo com autoridade, firmeza e de cabeça levantada. Só assim deixará jogadores, torcedores e críticos em dúvida e divididos. Uns criticarão, outros defenderão até chegarem à conclusão de que se tratou de “lances polêmicos”.

Mas, e se o árbitro acerta sem certeza? É melhor ou pior do que errar com convicção? A plateia se divide da mesma maneira, com a diferença de que o considera um vacilão.

Tenho a impressão de que assim deve ter se sentido Raphael Claus, após o jogo da manhã deste domingo, em que a Chapecoense bateu o Fluminense por 2 a 1, em casa. O juiz anulou bem um gol de Marcos Júnior, quando havia empate por 1 a 1, e assinalou pênalti de Antonio Carlos, aos 43 minutos da etapa final do qual surgiu o gol da vitória da equipe catarinense.

Nas duas jogadas, ele matutou um tempo até a decisão definitiva. Na jogada do Marcos Júnior chegou a apontar o meio-campo; depois, resolveu consultar o bandeira e detectou toque no braço do jogador do Flu. Ao mesmo auxiliar recorreu ao dar pênalti do Antônio Carlos e não falta fora da área.

Nenhum dos episódios foi fácil. Pra quem está de fora, necessário ver repetidas vezes para se chegar a alguma conclusão razoável. Com direito a ponderações, controvérsias e contradições. Importa que foram momentos importantes, que determinaram o resultado do jogo. O jeito indeciso atrapalhou Raphael.

Resultado ruim para o Flu e excelente para a Chapecoense, que passeia pelo meio da tabela. O tricolor brigava para ficar colado no topo da classificação – e, ao menos pelo segundo tempo, merecia melhor sorte. Foi quem tomou a iniciativa na Arena Condá, pressionou o rival, foi pra cima, criou chances para marcar, esbarrou nas próprias limitações e nas opções do árbitro.

A Chapecoense se garantiu com dois gols de Bruno Rangel, um em cada tempo. O Flu descontou com Edson. Foi a segunda derrota consecutiva, que breca a ascensão, com uma diferença em relação ao clássico com o Vasco: desta vez, o time de Enderson Moreira foi mais ágil e bem distribuído do que na semana passada.

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