Fla e Guerrero, ou como mudar o astral

Antero Greco

18 de julho de 2015 | 23h52

Paolo Guerrero mal desembarcou no Flamengo e já virou ídolo. Nem vou entrar no mérito da carência dos torcedores no nosso futebol, que isso seria tomar seu tempo e gastar palavras à toa. Importa a constatação de que o peruano chegou, mostrou serviço e por mérito tem lugar especial no público. Ele deu prova com o gol da vitória sobre o Grêmio e a plateia fez a parte dela ao lotar o Maracanã no início da noite deste sábado.

Guerrero é a comprovação da tese de que, muitas vezes, um jogador modifica o astral de uma equipe. O Flamengo andou cabisbaixo, tropeçou nas pernas, mudou de comando e por pouco não dispensou também Cristóvão Borges sem que tivesse oportunidade de esquentar banco. Rondou o fundo da tabela no Brasileiro. Enfim, viveu uma fase infernal.

Coincidência ou não, chegou Guerrero, que largou a marca dele nas três partidas de que participou, e zás!, a postura rubro-negra é outra. Não que o atacante seja de outro planeta, um craque extraordinário ou coisas do gênero. O próprio Fla teve gente muito melhor em sua história. O mérito do moço, no entanto, não pode ser diminuído – com ele veio mudança de atitude e o fato é que hoje a equipe tem mais confiança em si mesma.

O tom pra cima se viu no clássico com o Grêmio. O Fla continua ter limitações, não se discute. Mas, ao roubar a bola, se sabe que na frente tem um jogador como referência, alguém que pode concluir a gol ou que pode atuar como garçom. E, como se estivesse há muito tempo na casa, Guerrero se mostra à vontade, solto, desenvolto. Atitude que contamina os demais.

Se a onda permanecerá, é outra história. Não tenho bola de cristal. Espero, no entanto, que continue, se mantenha e tenha desdobramentos cada vez mais positivos. Ganham Fla, Guerrero e torcida, evidentemente. Ganha, acima de tudo, o Campeonato Brasileiro.