Fla x Ronaldinho: do amor ao ódio

Antero Greco

31 de julho de 2012 | 16h09

No começo do ano passado, o Flamengo fez de tudo para repatriar Ronaldinho Gaúcho. Entrou em leilão com o Grêmio, gastou os tubos, se endividou. A experiência não deu certo, o ex-melhor do mundo ficou muito aquém do que se esperava, saiu brigado e com ação indenizatória na Justiça. Foi para o Atlético-MG, adaptou-se e no sábado reencontra o ex-time.

Pronto, eis o motivo que a torcida rubo-negra encontrou para ir ao Engenhão. Está em gestação um enorme protesto contra Ronaldinho, que pretende mobilizar o maior número de pessoas. A ideia é infernizar o jogador, desestabilizá-lo e, dessa forma, demonstrar o repúdio que lhe devota quem se sentiu traído na paixão. Vaias é o mínimo que se pode esperar.

Defendo sempre atitudes apaixonadas dos fãs, porque o papel deles é esse mesmo. Quem ama futebol (sem outros interesses) vai do céu ao inferno num instante, idolatra e execra um jogador de uma partida para outra. É insano, é contraditório, é injusto muitas vezes. Mas é assim mesmo que acontece. Não há ponderação politicamente correta que mude essa reação.

Mas, pelo momento delicado que o Flamengo vive, será mais produtivo se o torcedor canalizar energia para ajudar na recuperação. É melhor preocupar-se com o destino da equipe, que vem em queda livre, do que manifestar-se contra um jogador que passou sem “fazer história”. Os fluidos devem ser dirigidos para ajudar Vagner Love e seus companheiros a saírem do buraco e não só para atazanar quem está do outro lado. O jogo é contra o líder e não contra Ronaldinho.

Se servir como desabafo, vá lá. Mas o foco tem de ser, sempre, o Flamengo. Não vale a pena perder tempo em demasia com quem pouco fez para o Fla.

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