Flu, campeão merecido. Palmeiras, a série B é ali

Antero Greco

11 de novembro de 2012 | 20h35

Não aceito teorias de conspiração, nem compactuo com quem queira rebaixar os méritos do Fluminense. A rapaziada de Abel Braga conquistou com méritos, neste domingo, mais um título brasileiro. Os 3 a 2 sobre o Palmeiras garantiram vantagem inalcançável e foram o prêmio de quem fez a melhor campanha. Campeão legítimo, que merece respeito e aplausos.

É pequeno, é ridículo, é indisfarçável dor de cotovelo creditar a campanha tricolor a manobras de bastidores, a corrupção, a um bem armado plano que envolveu a arbitragem nacional. O Fluminense sagrou-se vencedor, com três rodadas de antecedência, porque foi mais regular, eficiente, preciso, sóbrio e elegante.

Não se desprezam 22 vitórias, 10 empates e apenas 3 derrotas numa competição longa e inconstante como a Série A brasileira. Não é qualquer coisa uma equipe marcar 59 gols (o ataque mais eficiente) e sofrer só 28 (a defesa mais consistente). Não é por acaso que tem o artilheiro (Fred, 19 gols). Neste caso, os números  reforçam a realidade e não a mascaram.

O Fluminense pode não ser um supertime – e não temos por aqui um Barcelona como aquele de história recente. Mas, dentro do panorama doméstico, sobressai, manteve ritmo forte do começo até agora, soube dar o bote no momento certo e jamais vacilou. O Atlético-MG chamou a atenção pelo início espetacular, mas perdeu fôlego, ao contrário do novo campeão.

O Flu correu riscos, ora se correu. Mas jamais perdeu a cabeça, muito menos o rumo. A prova veio na decisão em Presidente Prudente. Abriu vantagem de 2 a 0, com Fred e Maurício Ramos (contra), tomou susto com a reação palestrina (Barcos e Patrik Vieira), mas se recompôs e, com a autoridade dos vencedores, liquidou a sorte do jogo e do campeonato, com Fred.

E ainda pode reclamar de erros do juiz: Vuaden anulou mal gol de Rafael Sóbis, quando ainda estava 1 a 0, e ignorou pênalti de Maurício Ramos sobre Marcos Júnior nos 2 a 2. Erros que desta vez poderiam tê-lo prejudicado, como teve falhas que em outras ocasiões o ajudaram. Bem ou mal isso aconteceu para todos.

O Flu comportou-se como grande, faz festa e segue em frente. O Palmeiras… Bem, o Palmeiras foi reflexo do que é, dentro e fora de campo: limitado, desnorteado, abatido. A Série B é ali.

 

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