Futebol, solidariedade, Bamako e Paris

Antero Greco

21 de novembro de 2015 | 22h00

Na tarde deste sábado, comentei na ESPN o jogo Juventus 1 x Milan 0. O clássico não foi grande coisa, pois as duas equipes estão muito aquém do que já foram. Faltam-lhes nomes de peso, jogadores à altura da tradição e do peso das respectivas camisas.

Mas houve um fato marcante. Antes de a bola rolar, tocou-se o hino da França, em manifestação de solidariedade com as vítimas do ataque a Paris, na semana passada. Comoção no estádio e as pessoas em atitude respeitosa. Achei bacana o gesto dos italianos, historicamente rivais dos franceses.

Sem fazer qualquer reparo à homenagem ­– e seria sem propósito – é bom lembrar que na sexta-feira ao menos duas dezenas de pessoas morreram  em atentado no Mali. Também vítimas de radicalismo, de terrorismo inernacional. Nenhuma palavra, nenhuma bandeira, nenhuma referência a minuto de silêncio.

Tragédia idêntica à de Paris pela brutalidade e covardia. Será que mediremos a dor de tragédias pelo lugar onde ocorrem ou pela quantidade de pessoas que morrerem? Se uma só morrer, já é tragédia, já se deve lamentar, protestar, solidarizar.

Bamako não é Paris, Mali não é a França.
Mali é apenas mais um desses tantos países esquecidos da África.

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