Ganso abre e fecha o ano como uma incógnita no Santos

Antero Greco

22 de dezembro de 2011 | 16h33

Paulo Henrique Ganso é muito bom jogador, desejado por rivais do Santos de toda parte e na mira de estrangeiros. (Pelo menos, antes das contusões e períodos de afastamento.) Mas se destacou em 2011 mais por estar no centro de polêmicas, ou por contusões, do que por aquilo que apresentou em campo. A rigor, seu melhor – diria único – momento na temporada foi na reta decisiva da Libertadores da América. Antes e depois disso passou quase em branco.

Eis que o ano está próximo do fim e Ganso volta ao noticiário. De que maneira? Outra vez por questão financeira. A discussão, agora, gira em torno dos 10% dos direitos econômicos (o apelido moderno para passe) que lhe pertencem. Na Japão, ele disse que havia vendido a quota para a DIS, parceira há tempos em rota de colisão com o Santos. Na volta, afirmou que não era bem assim e que o clube tem prioridade para a compra. O prazo é de dez dias.

Pronto, fica no ar novamente a possibilidade de ir embora. Ganhar mais é direito de qualquer profissional. Eu gostaria de receber muito mais, e imagino que você que me lê pensa o mesmo em seu emprego. Portanto, que ninguém interprete como crítica essa pretensão, legítima para todo trabalhador. E não faço a mínima insinuação de mercenarismo. Isso é bobagem.

O que me deixa com a pulga atrás da orelha é a recorrência desse tipo de discussão entre Ganso, seu staff e o Santos. Foram vários os momentos de atrito, que fazem entrever a intenção de fazer com que ele vá embora da Vila. Parece que não há interesse de que fique no clube tempo suficiente para afastar dúvidas em torno de sua condição física. Nem para que volte a brilhar como viga mestra da equipe. Daí se usa o salário como forma de pressão.

É justo o desejo de sentir-se valorizado. Ainda mais por ver Neymar em ascensão. (E não vamos discutir aqui o Mundial de Clubes.) Mas há uma diferença. Neymar não parou o ano todo, jogou em seleções e no Santos, provocou mais uma batalha entre Barcelona e Real Madrid. Ganso, não. Ganso ficou mais à sombra, no limbo. Não teve como valorizar-se.

Tomo o Ganso como bom rapaz, e talentoso demais. Inteligente também, e ambicioso como devem ser os jovens. Temo, no entanto, que sua imagem se desgaste por causa de gente que não entra em campo, que não lida com a torcida, não está sob o alvo da mídia, mas que tem um poder de decisão enorme. Ou, no mínimo, o influencia – e não sei se da melhor maneira.

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