Ganso x Santos, uma novela monótona e sem fim

Antero Greco

25 de agosto de 2012 | 12h41

Não é de anteontem que acompanho futebol, como torcedor e profissional. Já vi muita novela entre jogador e o respectivo clube, algumas até rocambolescas e com final espetacular. Mas essa de Santos x Ganso é das mais arrastadas, enfadonhas e desgastantes.

O roteiro em essência é o mesmo desde o início: o jogador aparentemente está insatisfeito, por se considerar pouco valorizado. Mas também não deixa claro como deseja ver recompensado seu talento. O clube insiste em dizer que o tem em alta conta e que tem pronto plano de carreira, se não igual pelo menos semelhante ao do Neymar. E, a correr por fora, está o “vilão”, na figura do investidor que a todo custo quer fazer dinheiro com o jogador.

Há quanto tempo você segue essa ladainha? Quantas vezes Ganso esteve com um pé fora da Vila? Ele já foi para Inter, Milan, Inter de Porto Alegre, Corinthians e, nos últimos dias, São Paulo. No meio do noticiário que o leva para cá e para lá, não faltam desmentidos e respostas iradas do Santos nem promessas do rapaz de que pretende cumprir contrato. A poeira assenta por um breve período até levantar de novo. E os capítulos se repetem…

A quem interessa isso? Ao Santos certamente não. Não compensa para um clube segurar um jogador importante, porém insatisfeito. A perda é grande, tanto do ponto de vista técnico como financeiro. O time se ressente com a queda de desempenho daquele que deveria ser o regente do meio-campo. O passe (ou direitos econômicos) cai.

Para o atleta esse tipo de situação é desgastante. Fica com imagem arranhada perante a torcida, que com o tempo o vê como mal-agradecido, mercenário e coisas do gênero. E, salvo engano, Ganso não é nada disso.

Mas a forma como as pendências são conduzidas por ele e por quem o assessora reforça esse estereótipo e não o valoriza.  Até da seleção foi afastado, para que possa decidir o rumo que a carreira vai tomar. E faz algum tempo que o futebol dele não sobressai no Santos, que logo mais enfrenta o Palmeiras.

Quem pode levar vantagem, então? Aqueles que farão dinheiro com sua transferência e, claro, eventual interessado que conseguir dobrar o Santos. O São Paulo esteve perto disso; só não se deu bem, porque Luis Álvaro considerou muito baixa a oferta, ao perceber que era um comprador interessado em pagar barato por um produto em “crise”.

Esse tipo de conflito não é inédito no futebol, e cedo ou tarde será resolvido, porque envolve dinheiro e relacionamento profissional. Não me surpreenderei se o desfecho for a saída de Ganso, com a torcida a voltar-lhe as costas. Mas será preciso chegar a esse ponto?

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