Gasolina no dérbi paulista

Antero Greco

06 de fevereiro de 2015 | 19h08

Jogaram mais gasolina em torno de Palmeiras e Corinthians, 48 horas antes de as duas equipes se encontrarem pela primeira vez no novo Palestra. A confusão começou na quinta-feira, com a decisão de ter torcida única no clássico, e continuou nesta sexta-feira.

Primeiro, com o recurso alvinegro na Justiça; depois, com a ameaça das organizadas de não permitirem o time ir a campo. E, na sequência, com a postura da FPF de manter tudo como estava. Mesmo a entidade tendo voltado atrás, no começo da noite, o cenário para ambiente tenso se instalou.

Pena.  Isso não beneficia o futebol, não divulga o jogo, não anima os torcedores. Ao contrário, frustra as pessoas pacatas e de bem (imensa maioria nos dois lados) e atiça a vontade de sangue das minorias (os de sempre). Com a intenção de garantir segurança, se acende o pavio de pólvora.

Torcida única é admissão do Poder Público de que não tem controle sobre grupos extremistas, é reconhecer impotência para uma obrigação básica com o cidadão. E, em vez de se revelar postura firme e sensata, transmite aos arruaceiros que eles são mais poderosos do que a sociedade. Tiro no pé, se me permitem a comparação de gosto duvidoso.

Em vez de diálogo, inteligência, moderação – e até marketing – a opção foi, como de rotina, pela saída mais cômoda, a da proibição. Coibir, reprimir numa análise superficial são alternativas eficientes; na prática, só atingem aqueles para os quais não são necessárias. Para o torcedor comum, o jogo é diversão, só isso. Mas tais medidas dão mais munição para os que procuram motivos mínimos para atazanar com a vida da gente.

Deixamos de falar dos jogadores e viramos o foco para a violência e a fragilidade do Estado.

E assim aumenta a goleada da Alemanha…

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