Grêmio, eficiente, expõe limites do Corinthians

Antero Greco

14 Agosto 2016 | 13h50

Há momentos em que a vitória é atestado de competência necessário para um time se firmar. Prova de que tem cacife para brigar por título, ou no mínimo por primeiras colocações. Grêmio e Corinthians se enfrentaram, na manhã deste domingo, com necessidade de um resultado desse tipo. Melhor para o tricolor gaúcho, que fez 3 a 0 e assumiu a vice-liderança do Brasileiro, com 35 pontos. O Corinthians tem 34.

O resultado foi duro,o pior até agora do time paulista na competição. E, se forem levadas em consideração as estatísticas, até exagerado. O Corinthians arriscou mais finalizações, teve alto índice de posse de bola, ganhou em escanteios e em outros penduricalhos. Indícios de que não esteve “morto” em campo. Ok, isso serve de consolo e sinaliza que a situação não é feia como parece (são duas derrotas e um empate nas últimas três partidas).

Mas vem o contraponto: o Grêmio foi eficiente, preciso, irretocável. Valeu-se da qualidade individual dos principais jogadores para desfazer o nó no clássico. E teve atenção, agilidade e pontaria perfeitas na maioria das chances que criou. Em outras, parou em defesas de Cássio. No primeiro tempo, abriu vantagem com Pedro Rocha. No segundo, Everton e Bolãnos completaram a tarefa.

Sei que há quem considere o gol um detalhe dentro do conjunto de um jogo. É preciso levar em consideração outros aspectos, para a análise não parecer superficial, etc e tal. Papo muito usado, quando um time leva um sacode. Ok. Porém, o gol é o detalhe supremo, como diria o filósofo da objetividade. E, se um time faz três gols, não tem como contestar o placar.

A turma de Roger Machado mostrou que é forte concorrente ao troféu – e não é por causa da vitória sobre os corintianos. Faz tempo que o Grêmio sobe com convicção (e ainda falta pegar o Botafogo pelo primeiro turno), encorpa e revela qualidades de quem não está só para ser figurante no torneio. Com o detalhe do desfalque de Wallace e Luan.

O Corinthians, ao contrário, parece ter chegado ao limite, independentemente do acerto das escolhas de Cristóvão Borges na escalação. Não há magia a ser feita com o elenco de que dispõe. Ou, talvez, o “mágico” fosse o antecessor dele no cargo. A equipe tem, digamos, futebol “certinho”, suficiente para garantir-lhe bons resultados em várias ocasiões. Talvez não o bastante para outro título.

O equilíbrio na corrida pelo topo ameniza o desconforto corintiano.  O Flamengo, por exemplo, ontem caiu diante do Sport. Neste domingo, o Furacão recebe o Palmeiras e o Santos joga com o Galo em casa. Ou seja, haverá muita troca de pontos e de posições. O afunilamento deve ocorrer daqui seis ou sete rodadas. Tem tempo para a reação. A questão é: haverá qualidade para tal?