Ghiggia reencontra Barbosa. No céu

Antero Greco

16 de julho de 2015 | 20h33

O mito começou em 16 de julho de 1950, se espalhou e dura até hoje. Diz a lenda que Ghiggia e Barbosa fizeram o Brasil chorar naquela data – e por muitos anos. O uruguaio por ter marcado o gol que garantiu a vitória da equipe dele por 2 a 1, na final do Mundial. O brasileiro por ter deixado passar sob seu corpo a bola que magoou uma nação.

Injustiça com ambos. Eram apenas jogadores de futebol que, por circunstâncias, se encontraram no centro de uma história no fundo bonita, pois feita de paixão, dedicação e simplicidade. Não eram semideuses, nem personificação do mal.

Eram homens, mortais, que carregaram pela vida o que ocorreu numa distante tarde de inverno no Rio. Ghiggia festejado na terra dele, visto como carrasco por aqui. Barbosa só menosprezado, condenado a uma pena injusta e descabida.

A morte os reúne. Barbosa se foi em 2000, Ghiggia morreu nesta quinta-feira, aniversário de 65 anos do Maracanazo. Que se encontrem no céu e façam eternas disputas, para divertimento dos anjos que transformam nuvens em arquibancadas.

Vá em paz, Ghiggia. Fique sempre em paz, grande Barbosa.