Gilmar dos Santos Neves, sinônimo e síntese de goleiro

Gilmar dos Santos Neves, sinônimo e síntese de goleiro

Antero Greco

26 de abril de 2011 | 14h32

Esse negócio de efemérides é um perigo. Algumas me deixam nostálgico mais do que bebum com dor de cotovelo. Uma delas é essa de hoje, a do Dia do Goleiro. Na bucha, sem pensar duas vezes, me vem em mente Gilmar dos Santos Neves. Pra mim, desde garoto, o antigo guarda-metas (como se dizia) do Santos dos anos 1960 é sinônimo de Goleiro, resumo de posição encantadora e maldita no futebol. Um gigante, um monstro, um craque, um galã, um gentleman. Um dos meus ídolos de sempre.

Lembro de Gilmar todo de preto, cotovelos e laterais do calção acolchoados. Uma segurança extraordinária no gol de um time temível, que rodava o mundo deixando rivais felizes e honrados com as surras que levavam. Lá atrás, estava o grande Gilmar, que crescia, ficava enorme na frente dos atacantes, e parecia não fazer força nenhuma na hora de defesas memoráveis. Era a pedra de segurança de uma equipe que encantava o mundo, me fascinava.

Gilmar também levava sua imponência para a seleção. Era o dono da grande área, senhor absoluto embaixo dos três paus. E não era espalhafatoso! Não lembro de tê-lo visto dar saltos de gato, como Manguinha, nem de sair tresloucado nos pés dos adversários. Nada. Era discreto, sóbrio. Passava-me sempre a sensação de que voltava para os vestiários impecável, com o uniforme limpo e pronto para ser dobrado e guardado. Meu primeiro sonho de infância ligado ao futebol era ser goleiro, era ser Gilmar.

E Gilmar eu me sentia quando ia na casa do vizinho, no Bom Retiro, para escarafunchar os fardamentos do time de várzea que a dona Lurdes, mulher do Nenê, lavava para ganhar uns trocados. Eu pegava a camisa e o calção do goleiro, vestia-os, sumia dentro daquela roupa (que fedia a atleta, mesmo com montanhas de sabão em pó) e me imaginava a fazer defesas que arrancavam aplausos da torcida que lotava o Pacaembu e o Maracanã.

Contemporâneos de Gilma, e que até hoje recordo como extraordinários (aos meus olhos de garoto, pelo menos), também eram Cabeção, Valdir de Moraes, o russo Yahsin (o Aranha Negra), Picasso, o próprio Manga, Orlando, Marcial, Heitor (que um dia pegou pênalti de Pelé!), Machado (que num jogo do Botafogo de Ribeirão Preto levou 11 gols do Santos e ainda evitou outros 22), Castilho.

Depois vieram Felix, Raul (e sua cabeleira e camisa amarela), Leão, Sérgio Valentim, Banks (o da defesa em cabeçada de Pelé na Copa de 70), Andrada (o do milésimo do Pelé), Rojas, Rodolfo Rodrigues (sempre Santos, sempre Pelé…), Fillol, Butice. Mais novos, como Valdir Perez, Carlos, Taffarel, Zetti, Paulo Victor, Ronaldo. Até chegar em Velloso, Dida, Marcos, Rogério Ceni, Júlio Cesar, Gomes, Vitor, Fábio, Van der Saar, Buffon, Casillas…

A lista é enorme, e certamente estarei a esquecer centenas de nomes importantes, por ignorância e por falha de memória. Mas, com a recordação, pra mim eternamente doce, de Gilmar, deixo aqui minha homenagem ao goleiro, o número 1! Quer dizer, era o número 1… hoje pode ser 01, 12, 22, 88, 99…

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