Gol de mão da Ponte. E a “culpa” é do juiz

Antero Greco

18 de outubro de 2015 | 13h45

O que a gente mais vê por aí é reclamação contra erros de arbitragem. Há indignação geral à menor falha nas decisões da turma de preto. No entanto, raramente – para não escrever “nunca” –, alguém que leva o juiz ao engano aparece para dizer “opa, não foi nada”. A choradeira e os pedidos de honestidade valem só para quem se sente prejudicado.

Bom, isto tudo é para dizer que a Ponte iniciou a vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba, na manhã deste primeiro domingo de horário de verão, com gol irregular, de mão, marcado por Alexandro, em cobrança de falta de Biro-Biro. Ele havia entrado no lugar de Borges, no intervalo, e fez 1 a 0 aos três minutos do segundo tempo.

Alexandro saiu para festejar, já que juiz e bandeirinha não viram a maracutaia, e depois ficou à distância, como quem não quer nada, a observar reclamações dos jogadores do Coritiba. Alexandro aumentou aos 40 e saiu como herói do jogo. Biro-Biro fechou a conta aos 47.

O papel de vilão da história ficou para Pablo Alves dos Santos, o “mediador da porfia”, como diziam os locutores de antigamente. Ele virou alvo da ira e da decepção dos paranaenses, porque não anulou a jogada irregular de Alexandro.

Mas, e que peso teve a atitude do atacante na definição do placar? Por que os boleiros não ficam revoltados com um colega que os prejudicou? Talvez porque imaginam que amanhã ou depois possam ser beneficiados por atitude semelhante, e o mais fácil é atingir o árbitro, jogar pra ele a responsabilidade. Como sempre acontece.

Nessa hipocrisia todos se merecem.

Outra vitória. Erro à parte, a Ponte jogou para merecer outro resultado expressivo na incrível arrancada na fase final do Brasileiro. No momento, tem 47 pontos, está em quinto lugar, e incomoda na briga por vaga para a Libertadores. O Coritiba se mantém afundado e permanece firme no bloco dos fortes candidatos ao rebaixamento.

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