Gomes se dispôs a sair com Gaúcho. Belo gesto de solidariedade

Antero Greco

21 de março de 2013 | 22h07

Gostei da atitude de Ricardo Gomes, que propôs pegar o boné no Vasco junto com o Gaúcho. O diretor técnico ficou aborrecido pela forma como o treinador foi dispensado, logo após a derrota por 2 a 0 para o Nova Iguaçu, e entregou o cargo para Roberto Dinamite. É gesto de solidariedade que aprovo e difícil de se ver no futebol. Tomara sustente essa posição, se de fato está convencido dela e apesar dos esforços da direção para que volte atrás.

Não sou contra a demissão de treinador, fato banal, corriqueiro no futebol e muitas vezes improdutivo. É a saída mais fácil para o cartola tirar o corpo fora e dar uma satisfação para o torcedor. O certo seria o dirigente demitir-se junto, porque tem a ver com a história, já que foi o responsável pela contratação. Mas largar o osso?!?! Nunca.

Sou contra demitir técnico no vestiário, após uma derrota. Vejo sempre como demonstração de destempero, despreparo e falta de tato. Falta de respeito mesmo. Não custa nada, ainda mais numa partida à noite, todo mundo ir dormir e deixar a poeira baixar. No dia seguinte, com cabeça fria, poderia ser anunciada a demissão. Mais honroso.

O Vasco está em busca de rumo. Como todo clube grande, enfrenta fases de oscilação, passa por períodos de crise e consegue sair. No caso, a tensão se agrava por causa dos problemas financeiros. A grana anda curta, o caixa bem baixo, os salários atrasam e há insatisfação entre os jogadores. Parece que em São Januário se buscam soluções imediatas, na base do vender o almoço pra comprar o jantar.

No momento, sobrou para o treinador e para o diretor técnico. Dois abacaxis para o diretor executivo René Simões descascar. Ele tem de mostrar habilidade e eficiência. Caso contrário, respinga também nele. Se isso acontecer, não surpreenderá.

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