Guerrero e Valdivia, situações idênticas, reações distintas

Antero Greco

04 de abril de 2015 | 23h21

Paolo Guerrero e Jorge Valdivia vivem situações que se assemelham. Ambos têm tratamento de ídolos em Corinthians e Palmeiras, respectivamente, e vivem expectativa de renovação de contrato. Há chance real de saírem. As reações, no entanto, são distintas: o peruano desanda a fazer gols, o chileno apareceu neste sábado pela primeira vez e desandou a falar impropriedades.

Guerrero negocia com o time dele há algum tempo. Fala-se que pede uma fortuna para renovar, somo tão alta que o Corinthians não teria condições de honrar no momento. O atacante em público não abre o jogo e só dá o recado dentro de campo, com gols. Como os três que marcou no meio da semana diante do Danúbio. Como os outros que fez.

A pressão de Guerrero é feita da forma mais inteligente e eficiente possível: na prática, ao mostrar o quanto é necessário para o projeto alvinegro do bi da América e o tri Mundial. Pode ser que não chegue a tudo que tem exigido, mas fique perto. Há o risco, também, de romper e buscar experiência em outro clube. Cada lado calcula o que tem a ganhar e perder.

Não se pode falar, porém, em falta de profissionalismo. Até agora, ao menos, Guerrero cumpre à risca o que lhe pede Tite. A torcida gosta dele, porque faz gols, corre, se dedica. O mínimo que se espera de um atleta que pede alto para estender o vínculo.

Valdivia jogou, na noite deste sábado de Aleluia, os primeiros 28 minutos da temporada de 2015 com a camisa do Palmeiras. Passou três meses para recuperar-se da enésima contusão. No tempo em que permaneceu em campo, com placar em favor do time dele já definido e resolvido, deu uns toques bons de bola e fez um belo passe para Dudu – quase o quarto gol.

A torcida que foi ao Allianz Parque o aplaudiu, festejou o retorno, sempre com o temor de que, a qualquer momento, outro machucado pode tirá-lo sabe-se lá quanto tempo. Muito bem, o que fez Valdivia depois da partida? Reclamou da situação dele, da falta de acordo para renovação de contrato.

Ele tem direito de valorizar-se e de querer agilidade na negociação. Mas usou de termos equivocados, ao afirmar que tornará público se “houver sacanagem interna”. Pisou na bola ao sugerir que pode ocorrer o mesmo de Kardec e Wesley, que saíram por falta de acordo.  Viajou, sobretudo, ao se considerar que continua por cima da carne seca.

O Palmeiras de hoje mudou, no comando geral e no de futebol. Fez investimentos, trouxe gente do ramo e tem planejamento. Valdivia talvez sinta que pode perder espaço e partiu para o ataque. Mas o fez com presunção, demonstrou pouco apreço pelo clube e não reconheceu o que foi feito por ele.

Cada torcida escolhe o ídolo que acha que merece.

 

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