Inter queima ídolos e imagem de eficiência

Antero Greco

08 de agosto de 2016 | 15h03

O Internacional já foi modelo de gestão no Brasil. Houve época em que despertava admiração e inveja de concorrentes, pelas ideias claras de administração e de planejamento no futebol. Fez escola.

Essa imagem de eficiência tem recebido golpes sistemáticos nos últimos anos. Virou fumaça, se desfez no ar. A prova de que vive novos, e perdidos, tempos veio no final da manhã desta segunda-feira, com o comunicado da diretoria de que dispensava Paulo Roberto Falcão da função de treinador. O antigo ídolo saiu depois de dirigir a equipe em cinco partidas, com três derrotas e dois empates.

O retrospecto do Rei de Roma, em curtíssimo espaço, é péssimo, beira os 13% ou algo assim de aproveitamento. Nesses 20 dias de trabalho, se tanto, o Colorado não reencontrou rumo, não deu sinais de melhora. Não conseguiu sequer passar a sensação de reação. Ao contrário, sentiu a cada tropeço o peso das cobranças e da responsabilidade.

Erro de quem? Da direção, da cartolagem.

Ah, mas dirigentes não entram em campo. Verdade, e era só o que faltava para o caos e a bizarrice serem completas.

Mas são eles que fazem as escolhas – e no caso errada. Aliás, duplamente erradas.

Em primeiro lugar, Falcão não era o nome adequado para o momento instável do Inter. Trata-se de personagem de grandíssima expressão, pela arte que desfilou pelos gramados enquanto era jogador. Craque, inesquecível. Assim como foi muito bom cronista esportivo em seus tempos de Tv Globo e de jornais.

Como técnico, falta-lhe currículo, não tem trabalhos e conquistas significativos. E o clube precisava de alguém calejado, cascudo, prático, para tirar o time logo do sufoco. Um milagreiro, retranqueiro, milongueiro? Sei lá, tudo isso e mais um pouco. Mas alguém que viesse e fizesse a rapaziada correr e arrancar pontos dos rivais. Porque o fundo do poço (entenda-se zona da degola) está bem perto.

Segundo erro da direção, a dispensa de forma fulminante. O contrato foi assinado no fim de semana e já vem a demissão. Ridículo, sinal de despreparo, desespero, falta de sintonia, de conhecimento. Roteiro manjado, que muitas vezes resulta em rebaixamento. Se houver recuperação (e há condições no elenco para ela vir), o torcedor não deve engolir conversa fiada de que se deveu à ação rápida dos executivos.

Ao agir assim, a direção queima o ídolo Falcão, como já havia feito anteriormente com ele mesmo, com Fernandão, com Clemer, Dunga, Aguirre, Argel … Agora parte para solução habitual, que deve ser a de recorrer a Celso Roth.

O Inter hoje dá péssimos exemplos, infelizmente. E, como disse Abelardo Peçanha, seguidor meu no Twitter, o “Inter perde técnico, perde tempo, perde ídolo.”  Perde tudo.

 

 

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