Internacional cai. E agora no Brasileiro?

Antero Greco

23 de julho de 2015 | 00h37

 

Perder faz parte do jogo, é da vida. Portanto, não seria anormal o Inter cair diante do Tigres, na volta da semifinal da Libertadores. Chato foi da forma como aconteceu, com o time brasileiro a negar fogo, a apresentar bola murcha e sem nenhum poder de reação. Levou 3 a 1, poderia ter sido mais, viu virar fumaça o sonho do tri continental e agora tem de se virar no Brasileiro, em que não está bem.

Não é justo tirar o mérito da equipe mexicana, que esteve superior do começo ao fim. A rapaziada do técnico Ricardo Ferreti soube impor-se, marcou a saída de bola, avançou o meio-campo, apertou. Enfim, seguiu à risca o roteiro de quem sabia da necessidade de vencer, no mínimo por 1 a 0, já que havia perdido por 2 a 1 em Porto Alegre. Foi além, e jogou para golear.

O Inter apelou para a tática do segurar a pressão, sair em eventual contra-ataque, marcar um gol e empurrar a responsabilidade para cima do Tigres. Estratégia furada, pois o time todo esteve abaixo do esperado. Difícil encontrar algum que tenha se salvado. Talvez Alisson, pela defesa no pênalti cobrado por Sóbis no começo do segundo tempo, e Sacha, que entrou no segundo tempo e jogou mais do que Nilmar. O resto entra no balaio geral da frustração. Muitos desapareceram em campo.

A desclassificação colorada engorda a série de frustrações na história recente do futebol nacional. A Libertadores tem sido torneio muito caro ao brasileiro, nas últimas décadas, mas outra vez não haverá representante na final. E por culpa nossa, pela bolinha que os grandes times daqui têm mostrado nos duelos internacionais.  Antes do Inter, caíram Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians, todos merecidamente, independentemente de serem confrontos domésticos ou com rivais de fora.

A pergunta que resta agora é: como o Inter reagirá no Brasileiro? Abriu mão da competição muito cedo, certo de que avançaria à final da Libertadores.  Deixou escapar muitos pontos importantes, sobretudo em casa, e no momento está a dez pontos de Galo e Corinthians, na ponta com 29. Mas, na décima colocação, tem muita gente a superar. Ou seja, dificilmente brigará pelo título. A não ser que, daqui por diante, cumpra campanha irretocável.

O Inter terá de superar, ainda, cobrança da torcida. Sem a Libertadores, aumentará a impaciência nas arquibancadas. Caberá à diretoria ter a cabeça no lugar. Não custa lembrar que o presidente Píffero disse, dias atrás, que a prioridade era a Libertadores e referendou a opção de Diego Aguirre de colocar mistão em campo na Série A. Continuará a dar respaldo ao técnico ou cederá a críticas?