Itália supera a Alemanha no melhor jogo da Euro-12

Antero Greco

28 de junho de 2012 | 18h02

A quarta-feira futebolística tinha me deixado com indigestão, depois de ver a chatice de 180 minutos de Espanha x Portugal e do jogo amarrado entre Boca x Corinthians. Fui recompensado nesta quinta, com Itália 2 x Alemanha 1. Não sei como será a final entre italianos e espanhóis, mas esta foi a melhor partida até agora da Euro-12.

A Azzurra e a Alemanha fizeram um espetáculo gostoso de se ver, um prazer pra quem curte o joguinho de bola. Houve marcação de ambos os lados, mas houve sobretudo vontade de jogar, de criar, de ir à frente. Consequência disso: movimentação do começo ao fim. Nada a ver com a sonolência que têm sido as apresentações que envolvem a Espanha.

A Alemanha teve a primeira chance com cinco minutos, em lance que Pirlo salvou a pele de Buffon e da Itália, em arremate de Khedira. Passado o susto, os italianos se assentaram e, aos poucos, impuseram o ritmo que têm apresentado na competição – incluindo a fase inicial do clássico em que empataram com os espanhóis.

A classificação da Itália começou a se tornar real aos 20 minutos, numa jogada de Cassano pelo lado esquerdo, na linha de fundo, que terminou em cabeçada certeira de Balotelli. Os alemães responderam, arriscaram, mas pararam em Buffon. Assim como Ozil e Khedira brecaram perderam o duelo no meio-campo, regido pelo maestro Pirlo.

Itália mais tranquila, mortal nos contragolpes, consolidou a proeza com um lançamento longo, que Balotelli não desperdiçou e mandou um torpedo que Neuer mal conseguiu enxergar. O maluco-beleza italiano, de origem africana, ainda tomou o amarelo por comemorar sem camisa. Foi substituído no segundo tempo por sentir cãibras.

A Alemanha sentiu o golpe, se esforçou na etapa final e só teve esforço recompensado nos descontos, em pênalti (pra mim duvidoso) cobrado por Ozil. Sem tempo para tentar o empate. Os alemães mostraram futebol digno, como haviam feito na África do Sul, e de novo caíram. Tomara que não abram mão dessa opção, em nome da eficiência. Será um golpe para quem aprecia o jogo bem jogado.

E a Itália? Bem, a Itália honrou a tradição de ser movida a crises e escândalos. Foi assim em 82 e em 2006, quando conquistou os títulos mundiais. Vinha de escândalo de loteria e jogos arranjados. Agora, a história parece que se repete. Vai se repetir também no desfecho? Talvez.

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