“Jogo” com a China foi bate-bola de churrasco

Antero Greco

11 de setembro de 2012 | 02h03

Há situações que não podem ser levadas a sério, até por uma questão de amor próprio. O jogo do Brasil com a China é uma delas. “Jogo” é força de expressão. O que se viu, na noite desta segunda-feira, no Recife, foi uma pelada bem ao estilo daquelas que se fazem após um churrascão entre companheiros de trabalho em fins de semana.

De um lado, uma turminha que sabe brincar com a bola; do outro, um bando de pernas de pau que não têm intimidade alguma com a mocinha e que só participam da brincadeira pra se divertir. E a acompanhá-los mais um monte de amigos nas arquibancadas, que se esbaldaram com o espetáculo.

Não tem como avaliar os 8 a 0 a não ser pelo lado da galhofa. Acho uma tremenda cara de pau se eu viesse aqui e tentasse convencer você de que foi “uma oportunidade importante para Mano Menezes fazer observações para montar o time que vai disputar o Mundial” e um monte de sandices. Porque basta falar com um tom grave, enumerar uma série de números e “desenhos táticos” e muita gente embarca na maior embromação como se fosse algo fundamental para suas vidas. Isso eu me nego a fazer, após um dois-toques com camisas oficiais e com cobrança de ingressos.

A partida com os chineses caiu à perfeição para tirar a péssima impressão causada no 1 a 0 raquítico de sexta-feira diante da África do Sul. O desempenho no Morumbi foi pra esquecer, pra apagar. Assim como deveria ser cancelado das estatísticas essa goleada obscena.

As duas ocasiões foram enganadoras: o Brasil não é um lixo, como se poderia concluir diante das dificuldades para superar os esforçados sul-africanos. Nem virou candidata maior ao título em 2014, depois de aplicar uma surra dessas nos assustados orientais.

A farsa era tão evidente que, no primeiro tempo, Neymar perdeu um gol porque quis fazer uma graça na frente dos zagueiros. Deve ter levado uma dura no intervalo – ele e os demais – e na etapa final desandaram a fazer gols. Uma infinidade, teve até de pênalti discutível.

Mano sabe que não se pode confiar num resultado desses. Talvez tenha tirado mais ensinamentos da sexta-feira. Os jogadores também, embora tenham ensaiado papo de que tornaram o jogo fácil e que o mesmo time perdeu só por 1 a 0 para a Espanha. Lorota.

Também vieram com o papo de que valeu o carinho do torcedor pernambucano. Outra conversa pra boi dormir. Em São Paulo, foram vaiados porque jogaram mal. Se jogassem bem, seriam aplaudidos. A propósito: minimizaram as vaias do público paulista sob o argumento de que havia muita gente no Morumbi que não sabia nem o que era uma bola. Concordo. Mas, se essa mesma gente tivesse aplaudido, seria sinal de que entendia de futebol? Contem outra.

Gente, vamos passar a borracha nesse divertimento de segunda à noite e voltemos a atenção para o que interessa: no meio de semana, tem rodada do Brasileiro. Mais uma quente, tanto na briga pelo título como na fuga do rebaixamento. Aí, sim, o negócio é pra valer.

Bom dia.

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