Jogo com torcida única é fraqueza oficial

Antero Greco

30 de julho de 2013 | 15h17

A terça-fira não começou legal. Ao passear pelo noticiário dos portais na internet, uma das primeiras notícias com as quais me deparei foi a que dava conta de que o Gre-Nal de domingo será com torcida única. Apenas tricolores poderão ir ao novo estádio para assistir ao clássico com o maior rival. Por determinação do Ministério Público local. Grêmio e Inter querem mudar esse quadro.

O MP acatou sugestão da Brigada Militar gaúcha, que não vê como fazer escolta segura para que os fãs do Inter possam ir ao campo. Como o trajeto não pode ser feito a pé, no estudo apresentado pelas autoridades, se apresentou como solução o público uniforme, ou seja, terão direito de acompanhar o jogo só os simpatizantes dos donos da casa.

Esse tipo de medida representa a falência da normalidade. Com tal atitude, o Estado diz que pretende salvaguardar a integridade das pessoas e evitar brigas. Ok, isso todos queremos e terá respaldo de quem aprecia futebol.

Mas, ao mesmo tempo, há o recado de que o governo e seus representantes, não têm capacidade para evitar confrontos, tragédias, guerra nas redondezas e dentro de praças esportivas. Essa interpretação causa mais dano, pois reforça para os baderneiros a sensação da impunidade deles. É como se dissessem pra eles: “Não temos como segurar vocês. Então, que não se encontrem torcidas rivais…”

O povo mais uma vez fica à espera de movimento correto e saudável, que sinalize para vândalos que não terão liberdade para agir, que serão vigiados e que suas iniciativas predatórias serão reprimidas. Em vez disso, eles continuarão a se sentir acima da lei, donos dos estádios, de lugares públicos.

Os desordeiros assim continuarão a circular por onde quiserem, enquanto os torcedores pacatos, sejam colorados ou tricolores, ficam reféns dessa gente e impedidos de dividir um espaço democrático como as arquibancadas. Até quando isso? Com tantos recursos para identificar briguentos, ainda há dificuldade para colocá-los à parte?

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